Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

Número de respostas: 30
Exercício individual de escrita reflexiva baseado em duas questões-norteadoras sobre o Conceito Nucleador 1. Para isso, reflita sobre o trecho do texto de Gadotti (2011, p. 62) e responda as questões a seguir:

"Aprende-se o que é significativo para o projeto de vida da pessoa. Aprende-se quando se tem um projeto de vida. Aprendemos a vida toda. Não há tempo próprio para aprender. E mais: é preciso tempo para aprender e para sedimentar informações. Não dá para injetar dados e informações na cabeça de ninguém. Exige-se também disciplina e dedicação".

- Na sua perspectiva, o que é central para construir conhecimento/ aprender?
- Que projeto de vida lhe motiva a aprender?

A proposta é que cada discente elabore uma postagem no Fórum da disciplina que explicite suas respostas/reflexões a partir das questões-norteadoras e dos conhecimentos construídos/conectados ao longo dos encontros e leituras do Conceito Nucleador 1. 

Para criar a sua postagem, solicitamos que você explore recursos para além de texto escrito, possivelmente articulado uma imagens, vídeos, áudios, desenhos, links, etc. A ideia é conectar saberes das mais variadas formas e formatos, como aprendemos e nos relacionamos.

Critérios de avaliação
(i) Apropriação dos conceitos e noções estudadas e discutidas nos primeiros encontros da disciplina de Métodos – 3,00 pontos; 
(ii) Articulação da vivência do discente com as reflexões da disciplina de Métodos – 2,50 pontos; 
(iii) Capacidade reflexiva sobre sua própria aprendizagem – 3,00 pontos; 
(v) Organização e densidade dos registros apresentados na postagem – 1,5 ponto.
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por LUCAS PINTO DE ALMEIDA -
Na vida, o ser humano sempre estará em processo de aprendizagem. Não se pode mensurar ou estabelecer limites para que o homem aprenda uma determinada tarefa, tão pouco esperar com que ele execute com maestria o que lhe foi solicitado sem antes ter adquirido o conhecimento necessário para tal ação. Pensar no que é fundamental para construir conhecimento/aprender é desafiador, pois não existe apenas uma forma de aprender. Cada ser humano possui habilidades especificas - ou até múltiplas - e o que os diferencias é a forma como esses saberes são ressignificados ao longo da vida, influenciando diretamente o seu projeto de vida. Gardner nos leva a refletir sobre as múltiplas habilidades e como elas estão presentes em cada um de nós, não se trata de um único conhecimento mas de uma variedade infinita de saberes. Em sua obra Teoria das múltiplas inteligências, percebemos que para além do conhecimento lógico-matemático e linguístico, outras formas de inteligências também podem somar no desenvolvimento do indivíduo. Para compreendermos melhor, tomemos como exemplo uma pessoa ribeirinha que não sabe ler e nem escrever, mas é conhecedora de várias ervas medicinais. Em um dado momento o individuo e solicitado para socorrer o seu vizinho que foi mordido por um animal peçonhento. Primeiramente ele busca conhecer que tipo de animal desferiu a mordida, para que em seguida possa preparar o medicamento. Realiza a preparação das ervas e em seguida inicia os procedimentos de primeiros socorros na tentativa de retardar o efeito do envenenamento para que dessa forma consiga tempo para o atendimento médico. Durante o ocorrido, a pessoa solicitada lembra-se dos ensinamentos recebidos de seus pais no que se refere as ervas medicinais para o tratamento de envenenamento, realiza o passo a passo da preparação e a aplicação correta, Conseguindo dessa forma retardar o envenenamento. Esse conhecimento adquirido por meio da oralidade evidencia que o individuo, por mais que não saiba ler ou escrever, ou até mesmo nunca tenha adquirido um livro sobre botânica e ervas medicinais, consegue aprender sem necessária mente estar em um espaço escolar. Nesse contexto, podemos perceber que o indivíduo desenvolveu a inteligência naturalista para tal situação, assim como conseguir manter-se calmo diante de situações extremas. O autor evidencia que cada um é único em sua inteligência e que fatores ambientais, culturais e hereditários constitui o ser humano como tal. A construção do conhecimento não está necessariamente em uma sala de aula com quatro paredes, está para além do que a ciência estabelece, são as vivencias, experiencias de vida, a troca de conhecimento e a interação com o outro é o que importa para que consigamos construir conhecimento.
Outro ponto a ser considerado é o projeto de vida que motiva minha busca por aprendizagem. Partindo da realidade de que por meio da interação humana e a troca de conhecimento conseguimos compreender melhor a nossa realidade. É pensando nesse contexto que visualizo uma nova forma de aprender, considerar o que cerca a minha vida. Não se trata apenas de acatar o que é posto pela ciência, mas absorver as experiências vividas ao longo do meu desenvolvimento. Uma questão que impulsiona-me apensar como futuro educador, é as experiências vividas ao logo da minha formação, seja como residente, estagiário ou docente. As várias realidades apresentadas nos encontros de sala de aula, permitiram-me repensar no ser um professor tradicionalista ou um professor interacionista. A cada encontro com os educandos eram momentos de um choque de realidade, cada relato, cada experiencia vivida, cada desencontro com a educação era um momento importantíssimo para que eu conseguisse pensar em estratégias para ajudá-los a entender e perceber o mundo que os cerca. A partir desses questionamento e inquietações de qual profissional gostaria de me torna, é que busco construir estratégias que dialoguem com os conhecimentos dos estudantes. Gadotti nos ajuda a considerar que aprender não é acumular conhecimento, e sim aprender a pensar, ou seja, não se trata de quantos artigos científicos eu consigo memorizar ou ler, mas o que eu consigo absorver e aplicar em minha realidade. Como que esse conhecimento será significativo para o meu desenvolvimento?, essa é uma pergunta que em seguida o próprio autor responde, dizendo que o aprender ocorre por meio da experiência, e que não é um coletivo que aprende, mas é nesse coletivo que se aprende. Era o coletivo da sala de aula que passou a me construir como professor, pensar nas múltiplas vozes presentes em uma turma, tantas realidades e histórias que marcaram minha formação acadêmica e principalmente a maneira de ensinar. Essa realidade de múltiplas vozes, múltiplos aprendizados impulsionam-me a buscar por novas formas de ensinar, a pensar fora da caixa e principalmente, a considerar as múltiplas habilidades encontradas na turma. Tomo como questão norteadora o que Gadotti ( 2011) afirma: "Aprender não é cumular conhecimento. (..)É o sujeito que aprende através de sua experiência. Não é um coletivo que aprende. Mas é no coletivo que se aprende."
Vídeo acessado para reflexão:
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por FRANCIANE MELO DOS SANTOS -
O processo de construção de conhecimento permeia a existência humana, pois a partir das relações diárias, da comunicação e das trocas interpessoais, as aprendizagens ocorrem das mais variadas formas. Gadotti (2011) afirma que precisamos do outro para aprender, visto que aprendemos com ele, e a partir dessa interação e do contexto que nos rodeia, vamos nos constituindo enquanto seres humanos, nunca prontos e acabados, mas em constante processo de construção, tal afirmação dialoga com a teoria sociocultural de Vygostky, que compreende os processos cognitivos e de aprendizagens de crianças como produtos das relações sociais e destinando um papel importante ao contexto cultural que envolve esse processo.
Nesse sentido, a centralidade da construção de conhecimentos permeia fatores diversos, mas julgo relevante dialogar com pensamentos de Paulo Freire, em sua obra Pedagogia da autonomia, em que diz que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (Freire, 1996, p. 22). Diante desse contexto, nota-se que se desmonta a hierarquia de que quem ensina possui o conhecimento e de quem aprende está passivo nessa relação, o que corrobora com as indagações de Papert (2008), quando ao utilizar uma analogia da gramática e do vocabulário da língua portuguesa, demonstra incômodo com a estrutura que coloca o professor como sujeito ativo de um processo de ensino-aprendizagem.
Portanto, tais premissas concordam com a visão da neurociência apresentada por Fava (2020), a qual entende que os alunos precisam de identificação com as temáticas a serem aprendidas, visto que quando há um significado ao aprender, isso ocorre de uma forma melhor, o que facilita o desenvolvimento da aprendizagem, pontuando ainda que esse processo não é linear, mas ocorre de forma intuitiva. Sendo assim, Moacir Gadotti diz que “O processo ensino-aprendizagem deve ter sentido para o projeto de vida de ambos, para que seja um processo verdadeiramente educativo” (Gadotti, 2011, p. 69), ou seja, o significado e o sentido são elementos essenciais para as aprendizagens.
Como professora formada em pedagogia e em história, já vivenciei diversos contextos de aprendizagens, e acredito que a docência é um projeto de vida, mas me distancio de noções que enxergam o trabalho docente como dom ou sacerdócio, pois me aproximo dos pensamentos freireanos que entendem que

Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ou a professora ensaiam a experiência profunda de assumir-se. Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar. Assumir-se como sujeito porque capaz de reconhecer-se como objeto. A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros. É a “outredade" do “não eu”, ou do tu, que me faz assumir a radicalidade de meu eu
(Freire, 1996, p. 41)

Diante do exposto, concluo delineando que o meu projeto de vida é ser uma comunicadora, onde dialogando com meus saberes docentes, utilizo as redes sociais para construir um espaço de aprendizagem em que valorizo o que me motiva a viver, que é a cultura paraense, que por vezes passa despercebida no cotidiano ou que não é valorizada. Nesse sentido, ao difundir conteúdos que mostram a beleza e relevância dos saberes locais, faço um esforço para criar conexões e estabelecer um ambiente democrático de construção de conhecimentos, compreendendo que “A tecnologia não deve ser o fim, todavia, certamente deverá ser o meio para tornar o processo de educar mais eficiente, efetivo e eficaz, sem perder o foco no que realmente importa: a aprendizagem” (FAVA, 2018, p. 144). E ao articular os saberes e as técnicas para construir os vídeos, compreendo que o conceito de múltiplas inteligências de Howard Gardner precisa ser acionado corriqueiramente nas práticas educativas, pois descobri que meu processo de aprendizagem se dá pela minha inteligência criativa, que junto com a interpessoal, culminam nas ações que proponho nas redes sociais.
Abaixo irei compartilho os links de algumas produções compartilhadas na minha rede social:

https://www.instagram.com/reel/DHOzfbEyrsV/?igsh=MXZjbjZrOG9ub2cycQ==
https://www.instagram.com/reel/DEFNjIduVUT/?igsh=M2hpY2hhMHlyZDgz
https://www.instagram.com/reel/DB12lH1ynLL/?igsh=aTZqaWg1cDVjZHVx

Referências bibliográficas
FAVA, Rui. O retorno da Paideia grega em forma de Paideia digital. In: DEBALD, Blasius. Metodologias ativas no ensino superior: o protagonismo do aluno. Porto Alegre: Penso, 2020, p. 95-103 (Epub– Capítulo 11).
FAVA, Rui. Trabalho, educação e inteligência artificial: A Era do Indivíduo Versátil. Porto Alegre: Penso, 2018.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GADOTTI, Moacir. Aprender com emoção, ensinar com alegria. In: GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. – 2. ed. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freite, 2011, p.59-72.
GARDNER, Howard; HATCH, Thomas. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.
PAPERT, Seymour. Uma palavra para a arte de aprender. In: PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 87-106.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por THAIS DE PAULA SILVA DE AZEVEDO -

A partir das leituras realizadas, pude concluir que existem alguns pilares fundamentais para a construção de conhecimento e o processo de aprendizagem, entre eles destacam-se: a importância do significado para o que se está aprendendo (Gadotti, 2011); relacionar a aprendizagem à vida real (Fava, 2020); e tornar o processo de aprendizagem ativo e motivador (Papert, 2008).

Com base na minha longa experiência como aluna e também na não tão longa mas igualmente significativa experiência como professora, posso dizer que concordo com os autores quando afirmam que a aprendizagem precisa transmitir alegria, emoção e prazer aos alunos. Os professores de quem mais recordo dos tempos de escola são aqueles que de alguma forma conseguiram me emocionar, e para além da sala de aula, conseguiram me inspirar a ser uma pessoa mais curiosa e ávida por informação. A partir da construção de sentimentos positivos no ambiente de ensino, há também a construção de significado para o aluno. Tento sempre trazer comigo essas memórias quando estou ensinando, pois acredito que ajudam a me conectar com os meus alunos.

Também considero a conexão entre aluno e professor um elemento essencial para que haja participação, engajamento e consequentemente, aprendizado. No livro Ensinando a Transgredir (2024), Bell Hooks conta sua experiência ensinando e ressalta que fazer da sala de aula um contexto democrático, onde todos sintam a responsabilidade de contribuir, é um dos objetivos da pedagogia transformadora. A criação desse ambiente só é possível quando o professor também partilha de suas experiências pessoais enquanto acolhe as experiências dos alunos, em uma construção comunitária de significado. Acredito que esse conceito se encaixa bem com o que Fava (2020) menciona sobre relacionar a aprendizagem à vida real. No papel de aluna, só me sinto à vontade para compartilhar minhas experiências quando vejo meus colegas de sala e meus professores compartilhando também. 


O projeto de vida que me motiva a aprender envolve bastante o meu senso de comunidade. Tenho vontade de aprender e de ensinar para colaborar positivamente com a minha comunidade e ajudar, mesmo que pouquinho, a construir um ambiente melhor ao meu redor. Acredito que somos fortes quando estamos organizados e unidos, e pra que haja organização é preciso acesso a informação e a conhecimento, então meu objetivo é justamente compartilhar o que aprendo e pensar novas formas de construir conhecimento em conjunto.

Escolhi fazer uma colagem com algumas figuras representando as principais ideias do meu texto. Na colagem há a palavra APRENDER no topo, as imagens que escolhi incluem uma professora fazendo um gesto de "toca aqui" para um aluno criança, representando a ideia de engajamento; uma imagem de pessoas de mãos dadas ao redor do mundo e outra de uma pessoa conectada a várias outras através de fios, representando a conexão entre eu e minha comunidade; uma foto de Bell Hooks; uma imagem de alunos trabalhando em grupo; e outras quatro imagens representando compartilhamento de ideias e o sentimento de curiosidade. 

Anexo Colagem_aprender.jpg
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por ADRYANE DE PAULA BARBOSA REIS -
* Na sua perspectiva, o que é central para construir conhecimento/ aprender?*

Na minha perspectiva, o elemento central da construção de conhecimento é o interesse, o que acreditamos ser interessante, curioso. Na leitura "a maquina das crianças" o autor afirma que "é pensar sobre o problema que promove a aprendizagem" ele também afirma que "minha relação com nomes de flores estava assumindo um novo tom por ter feito contato com áreas que considero pessoalmente interessante", esses são trechos do texto que marquei durante a minha primeira leitura, sem saber que isso seria perguntado, são trecho que me chamaram atenção e que me trouxeram o senso de conexão com o que estava sendo dito.
Passei a vida inteira, cercada de plantas e de pessoas que me são exemplo, que cuidam de plantas e viviam das suas plantações, mas me custou até os meus 20 e poucos anos para que eu realmente despertasse um senso de interesse pelo cultivo. E só então busquei guias, dados, informações, conexões com pessoas que se interessam pelo mesmo, só então tentei tentar, só quando me interessei internamente pelo assunto que semeei minhas primeiras sementes, e colhi meus primeiro frutos. E isso me despertou outras conexões emocionais, a sensação de tentar e conseguir, de não conseguir e tentar novamente, a percepção da passagem do tempo e o rendimento do cuidado e que cuidar floresce.
Quando ele Papert fala sobre "pensar sobre o problema", e quando Gadotti afirma que "é preciso tempo e para sedimentar informações", este pensamento prolongado sobre algo, requer atenção, demanda que a nossa mente se interesse por algo durante esse tempo necessário para aprende-lo e isso sempre me pareceu muito difícil quando é quando esse algo não me é interessante.
Em outro trecho de seu texto que foi marcado por mim, Papert afirma que "a parte deliberada do ato de aprender consiste em estabelecer conexões entre entidades mentais já existentes", antes de aprender a cultivar, me tornei fluente em inglês, e não foi um curso ou estudos escolares que me proporcionaram esse conhecimento, mas um interesse intrínseco, de entender as musicas que eu gostava e as séries que assistia. E nesse processo de aprendizado "solo" centenas de conexões precisaram ser feitas, atrelar sentido a essas palavras estrangeiras só é possível ao conectá-las a palavras do meu próprio idioma, observar no uso de expressões em inglês que transmitem sentimentos que eu também sinto, por isso achei tão essencial aprender assistindo series que eu gosto, que me interessam. Outra conexão essencial nesse processo foi a oportunidade de ter um amigo americano que tem o inglês como língua nativa, que estava aprendendo português e juntos, fazendo trocas e conexões, desenvolvemos simultaneamente nossos interesses.


*Que projeto de vida lhe motiva a aprender?*

Meu desenvolvimento pessoal é meu grande projeto de vida, estar nesse mestrado hoje é fruto de uma longa semeadura, feita por mim e pela minha família e regada por todas as pessoas que passaram pela minha vida. Na aula do dia 12 a professora Danielle afirmou "as pessoas que me inspiram, são todas que passaram pela minha vida e tocaram a minha alma", e eu anotei essas palavras no meu caderno como parte do aprendizado, como essencial para a nossa troca. A jornada até aqui não é algo que eu consiga abrir tão facilmente mas, o meu sonho é conquistar para mim uma vida feliz e sem medos, me tornar uma boa profissional na minha área e vencer os desafios do caminho.
Quando o seu objetivo é viver, tudo é aprendizado, vou aprendendo enquanto vou indo, uma das nossas colegas de mestrado nos disse algo parecido sobre materialidades, algo como "quando se ensina algo abstrato tudo pode ser recurso", e eu sinto que cada experiência que tenho coragem de viver é um recurso de aprendizagem.
Como ilustrações do meu processo de aprendizagem pessoal, escolhi mandar essas duas fotos que uma vez enviei para a minha psicóloga, são coisas que eu semeei e coisas que eu colhi, e eu não sei como melhor mostrar que o aprendizado acontece na nossa mente mas a gente o percebe em toda a nossa experiência de vida.
Anexo frutos.jfif
Anexo sementes.jfif
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por JSSICA OLIVEIRA CASTRO -
Desde o nascimento, o ser humano começa a trilhar um processo de aprendizagem que perpassa por todas as etapas da sua vida. Ou seja, nesta constante construção de conhecimento, repertórios são formados e aprender se torna um processo de troca e conexão. Sendo assim, dentro deste processo, se faz necessário dispomos de algo que é importante, mas que poucos sabem como utilizá-lo: o tempo. Por isso que pensar em construir conhecimento/aprender é algo que requer tempo e nos desafia a refletir que cada um é único, aprendendo no seu ritmo e de múltiplas formas.

Por isso que neste "mosaico" nos deparamos com os múltiplos saberes e inteligências como nos mostra Gardner. Para este autor, a pessoa não possui uma inteligência única ou uma única habilidade. E ao romper com esta ideia, Gardner apresenta as múltiplas inteligências, esta variedade de saberes que está em cada um de forma infinita, constituindo no que somos: um ser integral.

Diante do que foi mostrado, o projeto de vida que me motiva na busca por conhecimento está na minha vivência como pessoa nas mais variadas esferas da minha vida, na interação com outras pessoas e suas mais diferentes formas de aprender e de passar este conhecimento adquirido e com o ambiente que me cerca.

Na vida profissional, procuro olhar os meus alunos como pessoas únicas e com múltiplas inteligências a serem exploradas de maneira consciente e libertadora, e acadêmica, ao me deparar, durante o mestrado com as aulas, no encontro das turmas, nas leituras dos textos, e nos diálogos fomentados pelos professores e alunos que aprender vai além de um conteúdo, ou seja, se dá na vivência e na interação com o seu contexto (GADOTTI, 2011).
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por PAULO JUNIOR -
A partir das referências apresentadas para leitura neste primeiro encontro da disciplina de Métodos, tomando muito como base os textos de Gardner e Gadotti, consigo perceber e compreender que a construção de conhecimento e aprendizagem pode se constituir em um processo complexo e com diferentes aspectos, que sofre influência do meio em que vivemos, influência emocional, social, cognitiva, entre outras. Desde cedo sabemos que somos, enquanto indivíduos que convive em sociedade, pessoa com particularidades diferentes de outras pessoas, cada indivíduo com históricos de vida diferenciados, com ou sem privilégios e consequentemente com maneiras diversas de receber, processar, absorver e aplicar o que aprende durante a vida. Reconhecer e valorizar essas diferenças, entendo que seja uma forma de nos tornarmos pessoas mais empáticas e menos reducionistas, como por exemplo, quando justificamos questões de sucesso na vida, com o argumento da meritocracia, termo esse que geralmente reduz um resultado alcançado sem considerar o todo, sem considerar se os atores envolvidos nesse processo partiram, desde o início, de condições iguais de oportunidades, estrutura, realidade, entre outras variáveis, que justifiquem a meritocracia.
Na busca por tentar responder uma das questões norteadoras, sobre o que seria central para construir conhecimento e aprendizado, tomo como perspectiva o contexto educacional, mesmo sabendo que o acesso à educação ainda não é privilégio de todos. Entendo que esse processo precisa ser ativo com elementos interligados, com participação efetiva do aprendiz, considerando suas experiências, contexto, realidade, barreiras, limitações, recursos, mas sempre com a figura do professor como mediador e facilitador do processo de ensino e aprendizagem. Para os educadores, fica o constante desafio de criar ambientes que contemplem a diversidade de pessoas e a capacidade cognitiva considerando as individualidades, permitindo que cada aprendiz desenvolva seu potencial e se sinta motivado a aprender.
Me baseio nessa linha de raciocínio, muito influenciado pela leitura do texto de Gardner e suas teorias das inteligências múltiplas, que expande a capacidade humana para muito além do tradicional, onde as maneiras de se transmitir conhecimentos podem ser variadas, considerando o individualismo e pluralismo na forma de aprendizado. Individualismo no sentido de que cada um de nós temos nossas particularidades e podemos aprender algo de formas diferentes, e pluralismo na compreensão de que é possível ensinar de diferentes formas e assim conseguir acessar diferentes públicos e diferentes gerações. O texto de Gadotti também se assemelha com essa forma de construir conhecimento, quando aborda o aprendizado como um ato de esperança e construção, muito inspirado nas teorias e princípios de Paulo Freire, defendendo que o ato de ensinar, assim como de aprender, deve significar algo, ter sentido, ser humanista e comprometido com uma transformação para uma sociedade mais justa.
Referente a questão de que projeto de vida me motiva a aprender, confesso que os objetivos não são necessariamente voltados para o universo da educação, vistos que são questões mais pessoais e familiares, no entanto de alguma forma meu projeto de vida vai perpassar pela aprendizagem e suas diferentes formas, visto que para alcançar qualquer objetivo, estarei sempre em contato com contexto de adquirir, absorver e transmitir o conhecimento. A experiência de sala de aula nesses primeiros encontros na disciplina vem me possibilitando expandir pensamentos e reflexões sobre como podemos contribuir para uma melhor vivência em sociedade, pois estando em um ambiente com diferentes perfis de profissionais, desde aqueles com experiência com docência, como os não licenciados como eu, posso perceber que todos nessa turma estão no mesmo barco de busca de conhecimento e aprendizagem, e de acordo com os relatos e discussões que ocorreram em sala, cada um irá aprender e desenvolver seus trabalhos de forma diferente, porém com o diferencial de buscar atender uma demanda de produto que tenha relevância e que seu resultado seja aplicado de forma mais empática.

Para se inspirar:
https://www.youtube.com/watch?v=DgDJMNiIqws

Para refletir:
https://www.youtube.com/watch?v=tLHrC1ISPXE
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por NALIMILSON GOMES PINHEIRO -

O processo de aprender é complexo e multifacetado, não existindo uma fórmula ou um caminho único que possa determinar o sucesso da interação entre o mediador/facilitador e o protagonista dessa interação, o educando.

Nesse sentido, as estratégias e multivias a serem testadas precisam considerar os aspectos cognitivos da aprendizagem (o texto), o "com-texto" social, político, econômico, cultural e espiritual, as ambiências e o cardápio de possibilidades de métodos e técnicas de ensino-aprendizagem, buscando uma conexão ativa entre todos esses elementos, de modo que a interação gerada no coletivo seja significativa e útil para aprender. De acordo com Gadotti (2011), aprender tem de “significar”. Algo ou alguém é significativo quando deixa de ser indiferente. Esquecemos o que aprendemos sem sentido, aquilo que não pode ser utilizado.

Essa perspectiva nos leva a refletir sobre: a) a evolução histórica da educação (Fava, 2020), b) o papel da escola e do professor em uma sociedade aprendente (Gadotti, 2011), onde não se admitem mais o professor como mero transmissor de conteúdos, mas exercendo a mediação e a facilitação (Fava, 2020), c) as múltiplas inteligências (Gardner, 1989), e d) a utilização de estratégias capazes de promover a conectividade entre os agentes envolvidos no processo (Papert, 2008).

O desafio de combinar esses elementos é percebido na prática docente, a qual permite testar o sucesso das interações. É importante destacar que, mesmo em um processo planejado, seus resultados nem sempre geram os efeitos desejados. Há casos em que a interação é tão exitosa que escapa às possibilidades inicialmente previstas; em outros, uma sólida estratégia não consegue se conectar com o aprendente.

Um exemplo concreto é a dinâmica da torre, realizada na aula do dia 12/06. Inicialmente pensada para refletir sobre as múltiplas inteligências, essa atividade gerou uma interação tão significativa que superou as possibilidades previstas, pois o processo de construção do conhecimento possibilitou altos níveis de conectividade.

Do contrário, também ouvimos relatos em sala de experiências em que foram utilizadas sofisticadas estratégias no processo de aprender, mas que não conseguiu tornar o aprender significativo, provavelmente por não levar em consideração a combinação dos elementos já citados acima.

Outra reflexão necessária neste processo é que nós, educadores, precisamos ter clareza sobre o que é aprender e o que é “aprender a aprender” para entendermos melhor o ato de ensinar (Gadotti, 2011). Isso exige que façamos dois exercícios essenciais: olhar para dentro e manter vigilância sobre o outro. É preciso refletir sobre o que nos conecta ao aprendizado e sobre o que é significativo para nós. O que me motiva a aprender? Como aprendo? Essa reflexão nos levará à vigilância sobre o outro, o aprendente. Assim, é possível também considerar: o que motiva o outro? Como aprende? O que é significativo para ele? Com essa compreensão, podemos utilizar estratégias, métodos e técnicas que conectem e deem significado ao meu processo de aprendizado e ao do outro.

Para reflexão:

https://www.instagram.com/reel/ClKQ7_oruBs/?igsh=bnBzYXMxd2V0OTZ3

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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por JHONATA KLARK SOUZA PIMENTEL -
A construção do conhecimento acontece ao longo da vida e envolve diferentes formas de aprender. Segundo Aristóteles (2017) o humano é um ser social, e que a existência humana acontece por meio da troca de experiências com outros seres. É a partir dessa perspectiva que podemos responder à pergunta sobre o que é central para construir o conhecimento. Como seres sociais e frutos do meio em que vivemos, como diria Rousseau (2017) a questão principal é existir como ser humano. Ou seja, é preciso coexistir com outros seres humanos para que possamos construir e aprender qualquer tipo de conhecimento. É na minha existência enquanto ser humano, e nas experiências vivenciadas em sociedade, que estarei construindo conhecimento. Esse processo não ocorre de maneira única ou igual para todos, pois cada indivíduo aprende de acordo com suas vivências, cultura, emoções e contextos sociais. O processo de construção do conhecimento não se limita a um conjunto de informações, mas um processo contínuo entre sujeito e objeto. O conhecimento é resultado de uma relação ativa entre o sujeito que aprende e o objeto que se deseja compreender. Isso significa que conhecer não é apenas receber informações prontas, mas sim construir significados a partir da interação entre quem busca saber e aquilo que está sendo estudado ou observado. O sujeito não é passivo nesse processo; ele questiona, interpreta, compara, relaciona com suas experiências e, assim, transforma o objeto e a si mesmo. O objeto do conhecimento, por sua vez, pode ser qualquer coisa: um fenômeno natural, um fato histórico, uma obra de arte, uma situação do cotidiano, entre outros. O conhecimento, portanto, não está apenas no objeto nem exclusivamente no sujeito, mas na dinâmica entre os dois que está diretamente ligada ao ato de pensar. Pensar é o que possibilita essa interação: é por meio do pensamento que o sujeito observa, questiona, compara e atribui sentido ao que deseja conhecer. Esse processo é marcado por uma grande diversidade, já que não acontece da mesma forma para todas as pessoas. Cada indivíduo tem seu próprio modo de pensar, aprender e se relacionar com o mundo. A teoria das inteligências múltiplas, desenvolvida por Howard Gardner, contribui para essa compreensão ao identificar diferentes tipos de inteligência, como a linguística, a lógico-matemática, a musical, a visual-espacial, a corporal, a interpessoal, a intrapessoal e a naturalista. Cada uma dessas inteligências representa uma maneira singular de compreender a realidade, solucionar problemas e desenvolver aprendizagens.

Entender que o conhecimento é construído a partir da relação entre o sujeito e o objeto, mediada pelo ato de pensar, reforça a importância de aprender com sentido, respeitando os diferentes modos de raciocínio e as múltiplas formas de inteligência. É com base nessa visão que se fortalece o meu projeto de vida: aprender continuamente para ser um educador cada vez mais preparado e sensível às realidades dos meus alunos. Como professor de Matemática, recém-iniciado na profissão, busco não apenas ensinar conteúdos, mas também estimular o pensamento crítico, a autonomia e a valorização do conhecimento. Me inspiro nos professores que marcaram minha formação no ensino médio e, principalmente, nos próprios alunos, que me desafiam, motivam e ensinam todos os dias. É por eles que sigo aprendendo, porque acredito que a educação transforma vidas, começando pela nossa.

REFERÊNCIAS

ARISTÓTELES. *A política* . São Paulo: Lafonte,2017.
ROUSSEAU, J. *O contrato social* : Princípios do direito político. São Paulo:Edipro,2017.

Para reflexão:

https://vm.tiktok.com/ZMSPFo38S/
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por GABRIELLY CRISTINE FEIO CUNHA -

Na minha perspectiva, o que é central para construir conhecimento é o envolvimento subjetivo e relacional do indivíduo com o processo de aprendizagem. O primeiro elemento fundamental é a motivação, mas não aquela motivação imposta externamente, como recompensas ou punições, e sim aquela que nasce do interesse genuíno do sujeito. Acreditar que todos aprendem da mesma forma é ignorar a complexidade humana. Quando consideramos, por exemplo, a teoria das múltiplas inteligências, percebemos que o aprendizado se manifesta de formas diversas: uma pessoa com facilidade para criar e interpretar músicas tem formas próprias de expressão e compreensão do mundo, que muitas vezes são invisibilizadas em avaliações tradicionais, que priorizam apenas as lógicas numérica ou verbal.

Além do interesse individual, o segundo aspecto central é que o processo de aprendizagem precisa ser envolvente e fazer sentido para quem aprende. Não se trata apenas de transmitir conteúdos, mas de criar experiências que despertem curiosidade, emoção, identificação. Quando um aluno não vê sentido no que aprende, tende a apenas decorar os conteúdos para uma prova e, em seguida, esquecê-los. A aprendizagem verdadeira, no entanto, é aquela que transforma, que toca, que se conecta com a realidade vivida. Isso exige que o educador escute, observe e proponha situações em que os estudantes se sintam parte ativa do processo. Como aponta Fava (2020), é preciso desafiar os estudantes à autonomia, à formulação de perguntas, à possibilidade do erro e à busca por respostas próprias.

Por fim, acredito ser impossível pensar em aprendizagem dissociada do coletivo e do diálogo. O conhecimento não se constrói no isolamento; ele se dá na relação com o outro, nas trocas, nos conflitos de ideias, na escuta e na argumentação. Gadotti (2011) expressa isso de forma sensível ao afirmar que aprendemos “com” porque precisamos do outro, e que nos fazemos “na relação com o outro, mediados pelo mundo”. A sala de aula, nesse sentido, não é um espaço neutro ou hierárquico, mas um território vivo, onde todos ensinam e todos aprendem. O papel do professor, então, não é o de depositar informações, mas o de conduzir processos dialógicos, em que as diferentes formas de saber possam circular e ser legitimadas.

Em última análise, responder à pergunta sobre qual projeto de vida me motiva a aprender exigiu um olhar atento à minha trajetória. Percebo que o que me move é o desejo genuíno de ouvir narrativas — de entender como as experiências, os contextos e as vivências moldam a forma de cada pessoa pensar, sentir e agir. Essas histórias não me servem como modelos, mas como espelhos e janelas: me ajudam a refletir sobre minhas próprias ações, a confrontar discursos e a buscar coerência entre o que digo e o que faço. Na minha prática docente, isso se traduz na escuta ativa dos alunos, mesmo quando trazem falas aparentemente "fora de contexto". Ao abrir espaço para o diálogo, percebo que o interesse deles cresce. Tento sempre estabelecer conexões entre os conteúdos escolares e as realidades dos estudantes, como ao comparar o sistema imunológico com um jogo de futebol ou dar liberdade para o aluno criar um personagens como o “Solstício de Souza Equinócio” para explicar astronomia ao ver uma cabeça no formato elíptico da órbita (imagem em anexo). Isso dá sentido ao aprendizado e valoriza suas experiências.

Aprender, para mim, é um ato relacional e criativo, e ensinar passa pela capacidade de fazer o outro se sentir parte desse processo. Como afirma Papert (2008), “parte deliberada do ato de aprender consiste em estabelecer conexões entre entidades mentais já existentes”. Ou seja, só se aprende verdadeiramente quando é possível relacionar o novo ao vivido. Nesse sentido, meu projeto de vida enquanto educadora e aprendiz é continuar criando espaços de escuta e construção coletiva de saberes, reconhecendo que as narrativas, os afetos e o contexto de vida de cada um são elementos essenciais para um ensino que seja verdadeiramente transformador.

Anexo Personagem criado por aluno para aula de ciências.png
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por CLEONICE REIS SOUZA DOURADO DIAS -
Fazendo uma reflexão entre as leituras indicadas (obrigatórias e complementares) em destaque para o texto do Gadotti (2011), com os meus próprios acúmulos formativos e o conceito nucleador de construção do conhecimento, algumas possibilidades parecem ter ficado bem cristalizadas: o aprender é um processo contínuo e integral, que envolve o corpo, a mente e as emoções; é ato que envolve experiência significativa, dialógica, crítica, afetiva e prazerosa; é campo que provoca uma ambiência de motivação, autonomia, acolhimento, escuta e respeito e; é processo que exige rigorosidade em seus processos para despertar o interesse, a curiosidade e o desejo de aprender; é ação que só faz sentido quando conectada à vida concreta, aos nossos projetos de vida e as formas como percebemos, somos e estamos nesse mundo.
Mas também, é lugar de vigilância visto que a aprendizagem constitui-se também como campo de dominação. São tensões que surgem entre a intencionalidade do professor em ensinar e os significados que os alunos constroem, como ressalta Franco (2015). Surge então, a necessidade de refletirmos sobre as nossas ações, nesse movimento dialógico entre o ensinar e o aprender, que superem uma educação tecnicista, bancária e ingênua.
Essas ideias principais mobilizam, aproximam-se e interconectam as leituras basilares da minha formação acadêmica em Educação e Tecnologia e Educação em que muito discutimos as formas de ensinar e aprender. Em destaque, ressalto as obras de Paulo Freire “Pedagogia do Oprimido” (1970) - que destaca a importância do diálogo e do afeto como práticas pedagógicas libertadoras e critica a educação em uma perspectiva bancária de transmissão e acúmulo do conhecimento- e da obra “Pedagogia da Autonomia (1996)” que destaca que não há ensino sem aprendizagem e que o ato de ensinar, exige alegria, coragem ética e afeto.
Conecto meus saberes e essas perspectivas de ensinar e aprender à teoria da aprendizagem construcionista de Seymour Papert, que entende que o aluno constroi ativamente o seu conhecimento quando está engajado em criar algo concreto e que possa ser compartilhado. Eu arriscaria dizer que essa aprendizagem é inerente à motivação intrínseca e extrínseca e ao sentido daquela ação em sua vida. Aliada a essa perspectiva, tem-se a teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel, que ocorre quando o aprendente consegue construir o seu conhecimento ou relacionar novos conceitos ou conteúdos com os seus conhecimentos prévios.
Acredito que a minha busca e identificação com essas bases teóricas surgiram do meu desejo de aprender e entender os meus próprios processos criativos e de manifestação e resistência em diversos espaços. Talvez, a necessidade intrínseca de encontrar sentido entre aquilo que estudo, leio, teorizo com as minhas práticas diárias, como professora, estudante, mãe e pessoa me deslocam de um lugar de reprodução para o de constante e autônoma busca pelo aprender. Mas, sem dúvida, reconheço e destaco profundamente a amorosidade, paciência, dedicação e afetividade daqueles que no meu caminhar conseguiram enxergar minhas potencialidades e possibilidades múltiplas de expressão das minhas criações e são, hoje, inspiração daquilo que eu acredito como educação emancipatória.
Essa reflexão me remete a um vídeo, o “Aprender a Aprender”, que vi em uma das formações que passei. Ele demonstra como a aprendizagem significativa depende de estratégias conscientes, de rigorosidade, organização, capacidade de transformar informações em conhecimento e modificar aprendizados. Mais além, mostra um processo amoroso, paciente, calmo e que valoriza o aprendente ativo da aprendizagem, a construção pela reflexão do erro e, por fim, pela profunda conexão de afetividade.



Sem dúvida o meu projeto de vida está diretamente ligado à educação. Trabalho e vigio para que eu consiga formar sujeitos críticos, criativos e socialmente comprometidos. Acredito na educação transformadora, que acolhe as diferenças, que enxerga as multiplicidades do aprender e que seja capaz de despertar nos aprendentes o desejo pelo saber em um processo dialógico, constante e mutável entre quem ensina e quem aprende.

Eu aprendo todos os dias com os meus alunos, as minhas filhas, os meus colegas. Na escuta deles, nos seus anseios, nas suas ideias e nas inúmeras novidades. Aprendo em diálogo com eles, com meus pares, com os problemas que enxergo. Aprendo fazendo, perguntando, criando, testando, experimentando, sendo inspirada pela frase de Papert na imagem abaixo. Aprendo muito melhor quando me sinto desafiada, instigada e mobilizada por algo. Como por exemplo, estou incomodada por não ter conseguido fazer a áudio descrição em tempo hábil do vídeo postado. Essa demanda movimentou um desejo de transpor uma barreira inclusiva, que nesse tempo/ espaço ainda não conseguirei. Mas, com certeza, para as próximas ações, já terei conseguido ajustar uma falha minha.





Muitas vezes, sinto que sou apenas a pessoa que está ali para sistematizar o que meus alunos desejam aprender e como querem aprender com aquilo que eu acredito ser o razoável para sua construção. E que bom que eu sinta isso! Porque é ter o sentimento de estar no caminho certo quando vejo na prática o conhecimento deles sendo construído e ganhando profundo significado e alegria em suas vidas no cotidiano. Estou quase certa que esse seja o meu projeto de vida que mais me motiva a aprender: usar a educação e as tecnologias como ferramentas para a construção de um conhecimento significativo e marcante para a vida de cada aprendente de maneira alegre, criativa, emocionante e afetiva. Encontrar, cada vez mais, sentido, propósito e boniteza no ato de educar.


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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por LANGELA DOS SANTOS CARMO -
Com as leituras apresentadas e com as aulas expositivas da disciplina de métodos, pude compreender e refletir sobre um tema tão “simples” “como aprendemos?” compreendi que aprendemos das mais diversas formas, desde o nosso nascimento até o fim de nossas vidas, de forma individual, ou seja, ninguém aprende por outro alguém, aprendemos quando lemos um livro, quando assistimos uma aula, um documentário, ou mesmo quando trocamos conversa com nossos amigos, o que nos motiva a aprender é o que faz sentido para nossas vidas, o que tem significado, o que nos gera emoção.
Através do texto de Gadotti, entendi que estar em sala de aula todos os dias, menorizando uma série de coisas, estudando dias e noites para passar em um determinado concurso, pode não significar aprendizado, pois memória pode ser perdida se não gerar significado para minha vida, pois não nos gerou emoção e atenção, pois só aprendemos quando colocamos emoção.
Aprender é bem diferente de memorizar, muitos de nós fomos educados a memorizar, memorizar contas matemáticas, fórmulas, textos, em meu ensino básico, não fui estimulada a aprender, a refletir, a indagar, minha função como aluna era estudar, memorizar, fazer provas e passar, ao ingressar em um curso de licenciatura, minha concepção como professora mudou e eu aprendi que o professor não é o detentor do conhecimento e as aulas não precisam ser sempre no formato tradicional e que eu como professora precisaria me reinventar para me adequar ao novo, a diversidade que é a sala de aula.
Agora no mestrado, as primeiras aulas de métodos e as leituras de Gadotti me trouxeram uma inquietude, a respeito da falta de interesse do estudante pela sala de aula, pois a escola passou a ser algo desinteressante, pois o aluno passa menos tempo na escola e mais tempo em frente as telas, a informação agora está na palma da mão, nos celulares, nos tablets, nas telas, o professor precisou competir com as telas, o professor teve então que se reinventar, principalmente pós o momento pandêmico que vivemos, mas como trazer esse aluno para mais próximo da escola? Como tornar a sala de aula mais interessante que as telas? Esse professor tem o grande desafio de conseguir trazer as telas para benefício do aluno, e aproveitar os recursos que tem ali para que o estudante consiga retornar e entender que aprender não é memorizar fórmulas, que ele pode usar a tecnologia como seu aliado.
Vale destacar que a escola não é o único local para aprender, aprendemos das mais diversas formas, e não podemos esquecer da experiências vividas, durante as aulas expositivas quando a professora trouxe exemplos das inteligências, lembrei muito das parteiras, elas possuem tanta inteligência que talvez desconheçam, ao fazer um parto, utilizam a inteligência Interpessoal, pois precisam ter a capacidade de compreender às necessidades emocionais e físicas das mulheres, utilizam também da inteligência naturalista, pois conhecem plantas medicinais processo de parto, entre outras inteligências e conhecimentos que adquiriram durante a vida, as parteiras já tem o conhecimento de todo processo do parto pois já passaram por essa vivencia por diversas vezes, trouxe o exemplo das parteiras, pois elas não aprenderam fazer parto na escola ou na universidade, elas criaram habilidades de aprenderam afazer parto através da vivencia delas, ou seja, nossas vivencias e experiências nos geram conhecimentos que não são aprendidos na escola, mas que nos geram emoções, nos geram sentido de vida.
A respeito da pergunta: Que projeto de vida lhe motiva a aprender? Posso dizer que depois que entrei na licenciatura meu projeto de vida mudou e me motivou a aprender para sempre, entendi que ser professor é um eterno aprendizado, que estarei sempre aprendendo, aprendendo quando pesquiso, ou quando troco informações com os alunos, a licenciatura me mostrou que existe uma fonte inesgotável de aprendizado na relação professor e aluno e isso me motiva continuar aprendendo, no mestrado estou conseguindo identificar as formas e como eu aprendo. Meu projeto de vida é conseguir a tão sonhada vaga concurso público em uma universidade, onde vou conseguir atuar de fato em sala de aula e então colocar em prática tudo o que escrevi e talvez mudar algumas vidas pelo caminho, afinal o papel do professor não é de ser um transmissor de conhecimento...

para reflexão
https://youtu.be/pLTJK7Dm4iY?si=iQmjoTqass8KWUcJ
https://youtu.be/c807xxOg1iM?si=zulyH036spSClEne
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por NATÁLIA ALMEIDA EVANGELISTA -
No que concerne ao aprendizado, há algum tempo venho observando que ele se manifesta em diversos formatos, ritmos e tempos, muitas vezes de maneira atípica. Isso se deve à minha trajetória profissional, na qual acompanhei majoritariamente discentes com autismo, deficiência intelectual e outras deficiências no ensino superior. Os artigos de Gadotti e Gardner corroboram e complementam significativamente o que eu já vinha construindo na prática. Ao me deparar com discentes com dificuldades de aprendizagem, questionava-me: como esse aluno pode aprender o que precisa aprender?
Como psicóloga, sempre busco aplicar um dos princípios básicos que norteiam minha profissão: a empatia. Tento aprofundar-me na realidade do aluno, compreender como ele aprende. Seja por meio da escuta, do desenho, da gravação de aulas para posterior resumo, da atenção plena ou da combinação de atenção e anotação — enfim, como esse aluno apreende o conhecimento, como nas Múltiplas Inteligências de Gardner (2010).
Quando me deparei com a leitura de Gadotti (2011), em Aprender com emoção, ensinar com alegria, confesso que senti certo desconforto com a seguinte frase: “Ele só aprende quando quer aprender” ou “... a maior prova de inteligência encontra-se na recusa em aprender”.
Lembro-me dos alunos que acompanhei e acompanho em sofrimento por não conseguirem aprender algo. Lembrei-me também de minha própria dificuldade com a matemática, algo que me bloqueou desde a primeira recuperação na 5ª série. Eu não me recusei a aprender; ao contrário, eu sofria por não conseguir aprender. Assim, esse início do artigo soou-me um tanto romantizado, pensei.
O texto prossegue afirmando que “o que acontece conosco é que, se o que aprendemos não tem sentido, não atende a nenhuma necessidade, não aprendemos”. Além disso, é necessário que haja engajamento com nosso projeto de vida — o que, na psicologia, seria traduzido como a necessidade de que aquilo faça sentido e tenha significado para o ser humano.
Na 5ª série, eu ganhava prêmios de melhor redação do ano e havia muitos projetos relacionados à feira da cultura, ao meio ambiente e à feira de ciências. Eu conseguia me engajar em tudo e até me destacar nessas atividades, porque havia emoção. Já na matemática, eu era a aluna que sempre ficava para recuperação e provas finais, e pensava: “Nessa encarnação, a matemática não é para mim”.
Em nossas formações com docentes, uma frase básica da formação é: Forme vínculos afetivos com seus alunos, conheça-os, pergunte: como posso te ajudar? Você precisa de um tempo para se reorganizar? E a frase final dos meus slides nas formações é:
Respondendo à primeira pergunta sobre o que é central para construir o conhecimento/aprender, utilizarei um pouco da minha prática com o auxílio da teoria que venho aprimorando nas leituras do mestrado. O que é central é o amor pelo ensinar, pois o professor engajado no educar transformará sua sala de aula em um projeto de vida coletivo: o aprender. Ele captará a realidade de seus alunos, suas dificuldades, habilidades, sonhos e emoções, transformando esse cenário em um lugar prazeroso para comunicar, chorar, errar, vencer e aprender.
Em minha prática profissional, nos meus atendimentos psicoeducacionais na universidade, uma pergunta sempre presente é: Esse curso foi sua primeira opção? É o curso que você escolheu? E por que você escolheu esse curso? Muitas vezes, a partir dessa pergunta, muitas informações se descortinam, revelando o que envolve o processo de sofrimento emocional no ensino superior.
“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana” JUNG.
Em minha trajetória acadêmica e profissional, o que me move a aprender é a emoção. Teorias que acreditam no potencial humano de mudar, aprender, viver experiências e práticas que movimentem o mundo, acolham o diferente e transformem nossas caminhadas em um eterno aprender. É o acreditar que o acolhimento, a equidade e o conhecimento são potenciais transformadores da vida humana.
Nessa nova jornada no programa, vejo-me questionando, concordando ou até chorando com os textos e com os relatos das professoras, engajada e eufórica com as dinâmicas em sala de aula, sempre grata por esse pedaço delicioso da minha vida que tem sido o mestrado. No dia do acolhimento no programa, no meu “barquinho”, coloquei a palavra RECOMEÇO, porque sentia que, como no curso de Psicologia, haveria muitos momentos de reencontro, emoção, gratidão, engrandecimento e inspiração. E assim tem sido.


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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por RUTILENE ALVES ROSA PASSARINHO -

Durante o primeiro ciclo da disciplina Métodos e Técnicas Inovadoras de Ensino e Aprendizagem, com a temática conectando saberes, tenho sentido a necessidade de fazer interagir o conhecimento teórico da disciplina com o meu conhecimento, pois trouxe-me o desafio de tornar este momento um espaço de aprendizagem que pudesse também servir de reflexão para as minhas práticas enquanto docente de francês língua estrangeira (FLE) e português língua estrangeira (PLE) com temas como:

1. O que é central para construir conhecimento/aprender?

2. Que projeto de vida lhe motiva a aprender?

No capítulo “Aprender com emoção, ensinar com alegria”, Gadotti (2011) apresenta uma reflexão sobre a crise de significado enfrentada pela escola contemporânea, marcada pelo desinteresse de alunos e pelo esvaziamento do papel social do professor. O autor parte do princípio de que ninguém aprende aquilo que não vê sentido, ressaltando que a indiferença de muitos estudantes não é resultado de falta de capacidade, mas de ausência de vínculo entre o conteúdo escolar e suas realidades e projetos de vida. Nesse contexto, Gadotti recupera o conceito de educação de Freire (1997) como um ato dialógico, no qual ensinar e aprender são movimentos simultâneos e afetivos, ou seja, o conhecimento é construído na relação entre sujeito, mundo e contexto social. O texto de Gadotti reforça que o sentido é o elemento central: aprendemos quando vemos significado no que estudamos, especialmente quando isso se conecta ao nosso projeto de vida.

Lembro da minha primeira experiência como professora do ensino básico a partir da aprovação no concurso para professora substituta da Escola de Aplicação da UFPA, em setembro de 2013. Pela primeira vez lidei com a autonomia docente no ensino básico de elaborar um plano de ensino de uma disciplina, de delimitar um programa, uma metodologia e formas de avaliar, tendo em vista o público-alvo atendido pela escola, isto é, crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens, ainda sem compreenderem o motivo, razão pela qual eles estudam uma língua tão distante da realidade deles. Foi necessário criar um sentido para contextualizar a aprendizagem, mostrar aos alunos os benefícios da aprendizagem desta nova língua e o conhecimento que esta pode lhes trazer.

Na minha perspectiva, aprender é um processo dinâmico e contextualizado, que vai além da acumulação de informações. Como destacado por Gadotti (2011), a aprendizagem só se consolida quando há um sentido intrínseco para o indivíduo, ou seja, quando o que está sendo aprendido se conecta a seus interesses, valores ou projetos de vida. Isso ecoa também a ideia de Papert (2008) sobre a importância da "matética" (a arte de aprender), que enfatiza a necessidade de o aprendiz ser ativo na construção do conhecimento, explorando conexões pessoais e emocionais com o conteúdo.

Além do sentido, outros aspectos essenciais são: relação com o coletivo “é o sujeito que aprende através da sua experiência. Não um coletivo que aprende. Mas é no coletivo que se aprende” (Gadotti, 2011, p.62). A aprendizagem significativa também envolve colaboração e diálogo, como mencionado por Fava (2020) ao discutir a "Paideia digital", que retoma os princípios gregos de aprender em comunidade, integrando pensamento, emoção e ação; relação emocional: aprender exige emoção e alegria. A frieza de conteúdos desconectados da realidade gera desinteresse; tempo e reflexão: Gadotti e autores como Demo (2001) criticam o "dando aulas". A aprendizagem exige tempo, reflexão e prática. Não basta receber informações passivamente; é preciso engajar-se criticamente, questionar e aplicar o conhecimento em situações reais.

Ainda na atualidade continuo trabalhando como professora de FLE e apesar da experiência adquirida ao longo dos anos, reconheço que essa reflexão sobre como construir conhecimento/aprender, deve ser continuada e aprofundada, pois passei a me questionar se durante a minha pratica docente eu já não teria me transformado em uma “dadora de aulas”, repetindo os mesmos planos de aula, com as mesmas “receitas prontas” e sem colocar em prática à teoria das inteligências múltiplas de Gardner (1989), que defende que cada indivíduo possui um perfil único de habilidades e formas de aprender, destacando a importância de metodologias que respeitem essas diferenças.

2. Que projeto de vida lhe motiva a aprender?

A educação de modo geral me motiva a aprender porque me permite crescer pessoalmente, desenvolvendo uma compreensão mais profunda do mundo e de mim mesma. Como Gadotti destaca, o verdadeiro aprendizado ocorre quando conectamos o conhecimento aos nossos propósitos e valores, transformando informações em significado.

Refletir sobre essa pergunta me remete a uma das indicações de leitura para a seleção do Mestrado, Bell Hooks, em sua obra "Ensinando a Transgredir: A Educação como Prática de Liberdade" (1994), a autora critica o sistema educacional tradicional, que muitas vezes reforça hierarquias de poder, silencia vozes marginalizadas e trata alunos como receptáculos passivos de conhecimento. Em contrapartida, ela propõe uma pedagogia engajada, onde professores e alunos aprendem juntos em um espaço dialógico, afetivo e descolonizado.

Um dos pilares de seu pensamento é a importância do afeto na educação. Hooks argumenta que o aprendizado só se torna significativo quando há reconhecimento da humanidade de todos os envolvidos, professores que ensinam com amor e alunos que se sentem vistos e valorizados. Essa abordagem rompe com a frieza acadêmica tradicional e cria vínculos capazes de inspirar mudanças reais. Para ela, educar é um ato de cura em um mundo marcado por violências estruturais, especialmente para corpos negros, femininos e periféricos.

É trabalhar com uma educação que pode ser libertadora. O que me remete também ao curta-metragem “Vida Maria” (2006). O curta ressoa profundamente em minha trajetória de uma forma bem particular, pois ele retrata de forma impactante a vida de uma garota chamada Maria, cuja realidade é marcada por muita dificuldade no sertão. O filme aborda vários temas, como a exploração infantil, trabalho duro, e a falta de conscientização sobre a educação. Onde, infelizmente, Maria foi forçada a seguir os passos de sua mãe de trabalho duro e privações.

A história da minha família por parte de mãe é um testemunho de coragem e resiliência diante das adversidades. Remonta a um tempo em que a seca assolava o sertão nordestino no Piauí, lançando desafios à sobrevivência e qualidade de vida. Minha mãe, juntamente com seus pais e nove irmãos, foi uma das muitas famílias que enfrentaram essa dura realidade em busca de uma vida melhor. Vieram tentar a “sorte” em Belém do Pará. Assim como a personagem do filme se chama Maria, a minha mãe se chamava Maria do Amparo, minha avó Maria Rosa, a sua irmã Maria Joana, minhas tias, são todas Marias: Maria do céu, Maria de Nazaré, Maria do Socorro, Maria do Carmo, Maria Francisca...

Posso dizer que o ponto de mudança na minha história de vida em relação às “Marias” da minha família e as do filme é o estudo. A narrativa sobre a importância da educação na quebra de pobreza e da exploração, ressalta a urgência de mudanças sociais para proporcionar um futuro mais justo às crianças. A educação escolar pode devolver a chance de elas sonharem, crescerem e contribuírem de forma significativa para a sociedade, ao invés de serem colocadas em circunstâncias difíceis ainda na infância.

Aprendo que o conhecimento só se completa quando compartilhado, e é por isso que vejo meu aprendizado como um projeto, uma ferramenta para impactar positivamente a vida dos outros. Como dizia Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção ou a sua construção” (1996, p.22).

Em conclusão, ao refletir sobre as questões norteadoras deste fórum, percebo que esta disciplina tem me desafiado a repensar minha prática docente sob uma perspectiva mais crítica e significativa. As discussões sobre aprendizagem contextualizada, aprender com sentido, aprender com o outro, aprender com diferentes recursos, educar com emoção e alegria reforçam que educar vai além de transmitir conteúdos: é sobre criar conexões que transformem tanto o aluno quanto o professor. Minha história familiar e obras como as de Bell Hooks me lembram que a educação é um ato político e afetivo, capaz de romper ciclos de exclusão. Assim, meu compromisso é seguir aprendendo de forma engajada, buscando metodologias que respeitem as múltiplas inteligências e que, de fato, libertem. Afinal, como diz Gadotti, só aprendemos quando o conhecimento faz sentido.


Referências bibliográficas
FAVA, Rui. O retorno da Paideia grega em forma de Paideia digital. In: DEBALD, Blasius. Metodologias ativas no ensino superior: o protagonismo do aluno. Porto Alegre: Penso, 2020, p. 95-103 (Epub– Capítulo 11).
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GADOTTI, Moacir. Aprender com emoção, ensinar com alegria. In: GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. – 2. ed. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freite, 2011, p.59-72.
GARDNER, Howard; HATCH, Thomas. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.
HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade; tradução de Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017. p. 9-50 (Introdução, Capítulos 1 e 2).
PAPERT, Seymour. Uma palavra para a arte de aprender. In: PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 87-106.

Para refletir:
https://www.youtube.com/watch?v=yFpoG_htum4&t=96s
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por Martha Libia Wanderley Borges de Oliveira -
- Na sua perspectiva, o que é central para construir conhecimento/ aprender?

O trecho de Gadotti (2011) afirma que “o que acontece conosco é que, se o que aprendemos não tem sentido, se não atender alguma necessidade, não “apreendemos”. O que aprendemos tem de “significar”. Diante dessa reflexão, constatei que para eu aprender e, construir conhecimento, é necessário que exista um propósito, um objetivo traçado, uma meta a ser atingida. A partir desse direcionamento, surge a vontade, a disposição para adquirir e absorver conhecimentos sobre áreas de meu interesse, que naturalmente despertam em mim uma motivação intrínseca de querer reter novos saberes. Esse movimento fomenta a minha curiosidade e transforma a experiência num movimento prazeroso. Só aprendemos quando colocamos emoção no que aprendemos (Snyders, 1986).
Nesse dinamismo, as atividades se tornam fluidas, seja elas ler conteúdos, assistir vídeos, podcast, documentários ou usar outros meios que agregam conhecimento. Nesse processo, sempre presto atenção ao meu bem-estar emocional, observando como me sinto e se estou absorvendo o conhecimento com leveza e facilidade de compreensão ou, ao contrário, se estou com dificuldade. Quando percebo dificuldades, realizo pausas, reavalio os métodos e recursos escolhidos para estudo, faço as adaptações necessárias, escolhendo novas formas de compreensão que sejam mais alinhadas ao conteúdo que desejo aprender.
Descobri que possuo memória visual. Por isso, opto por frequentemente utilizar imagens e textos no momento de aprender. Essa estratégia funciona de forma bastante eficiente, sendo comparável a “tirar o print da tela do celular”, no qual o texto ou a imagem fixa-se momentaneamente na mente e, aos poucos, vai se apagando. Procuro tirar proveito para recordar informações visualizadas, seja na forma de imagens, esquemas ou outros estímulos visuais. Também gosto de aprender ouvindo, gravo as aulas e as falas permanecem na minha memória. Dessa forma, compreendo o conceito de múltiplas inteligências de Howard Gardner, o qual reconhece que diferentes pessoas aprendem de maneiras diversas, valorizando tanto os estímulos visuais quanto auditivos, entre outros.


- Que projeto de vida lhe motiva a aprender?

De acordo com Gadotti (2011, p. 62), “aprende-se o que é significativo para o projeto de vida da pessoa”. A Partir dessa afirmação, compreendi que meu projeto de vida é indispensável, é essencial para o meu processo de aprendizagem, impulsiona o meu interesse e satisfação em realizar determinada atividade e adquirir conhecimentos. Não faz sentido aprender sem um plano pessoal, sem objetivos e aspirações, sem pensar nas minhas áreas profissional, pessoal e social.
A citação de Gadotti (2011) conduz a uma profunda reflexão sobre o verdadeiro sentido da aprendizagem. Aprender não é um ato isolado, mecânico ou imposto; é, antes de tudo, um processo conectado ao nosso projeto de vida, aos nossos desejos, sonhos e necessidades. A aprendizagem ganha significado quando está alinhada com aquilo que queremos ser, fazer e construir.
Foi exatamente na busca por realizar o meu projeto de vida que tomei a decisão de pedir exoneração do meu cargo de nível superior na esfera estadual, após 25 anos de efetivo serviço público, onde deixei muitas contribuições profissionais. Optei, conscientemente, por sair da minha zona de conforto, de um lugar que conquistei com muito trabalho e que já estava validado, reconhecido e consolidado, para recomeçar em um novo espaço, cheio de desafios, mas também repleto de oportunidades que eu tanto almejava. Porém, recomeçar nunca foi fácil, todavia, o foco no meu projeto de vida me mantinha ativa, buscando o caminho, no alvo e eu sabia que iria precisar de tempo, treino e persistência, até o alcance da meta. Hoje, estou aqui, no dia de domingo aprendendo, lendo, refletindo pois faz sentido para mim.
No momento da despedida, alguém me disse: “Boa sorte na sua nova empreitada!”. Naquele instante, não me detive para refletir profundamente sobre o significado da palavra empreitada, pois o que, de fato, importava para mim era seguir firme no meu projeto de vida. Eu estava ciente de que haveria obstáculos, mas estava igualmente decidida, motivada e disposta a enfrentá-los.
Com o passar do tempo, compreendi, de forma muito clara, o peso real daquela empreitada. Percebi quão grande foi a decisão tomada, sobretudo por não estar mais na mesma fase de vida de antes (menos idade) e, agora, com a responsabilidade de cuidar de dois filhos pequenos. Ainda assim, deixei para trás meus feitos e as relações profissionais construídas, e fui, com muito trabalho e determinação, em busca desse recomeço. Apesar de todos os desafios, nunca me arrependi da escolha que fiz e contei com o apoio fundamental do meu marido. O meu projeto de vida continua sendo a minha maior motivação para aprender, crescer e transformar a minha realidade e alcançar outros voos.

O vídeo anexado exemplifica que aprender é um processo contínuo, que exige tempo, dedicação, disciplina, curiosidade e, sobretudo, envolvimento emocional para alcançar aquilo que faz sentido, alinhado ao projeto de vida, à identidade de quem somos e aos objetivos que buscamos construir.
Observa-se, ainda, que a jovem demonstrou criatividade na transmissão da sua mensagem, utilizando de forma integrada suas inteligências espacial, corporal-cinestésica e lógico-matemática para planejar, estruturar e comunicar de forma eficiente e intencional o seu propósito.

https://youtube.com/shorts/ti3AKSvTSZg?si=35XFCgwnilAq13TQ
Em resposta à Martha Libia Wanderley Borges de Oliveira

Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por Martha Libia Wanderley Borges de Oliveira -
Em tempo, como parte essencial do meu projeto de vida para além da qualificação das minhas atividades profissionais atuais pretendo prestar concurso público para a docência no ensino superior, na Universidade Federal do Pará (UFPA), na minha área de formação.
Em resposta à Primeiro post

Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por MARA RITA ARAUJO LAGO -

A partir das questões-norteadoras e dos conhecimentos construídos/conectados ao longo dos encontros e leituras do Conceito Nucleador 1, pudemos repensar o que é o conhecimento e como aprendemos.

O aprendizado perpassa por toda a existência humana, desde os primórdios dos tempos com os povos nômades, com a Paideia grega e comunidades tradicionais, entre outros exemplos. Uma vez que, o conhecimento inicialmente, era perpassado através da memória e oralidade. E com o passar dos tempos, com o advento da imprensa, através da sistematização do conhecimento através dos livros, notou-se que os indivíduos aprendem de formas diversas, em tempos distintos.

Ensinar a “aprender a aprender” como nos remete o pensamento de John Dewey, no início do século XX, enfatizando a importância de estimular as pessoas a realizarem questionamentos, a avaliar as evidências e a considerar novas nuances. Nesta perspectiva, ao estimularmos a busca pelo conhecimento estaremos estimulando a aprendizagem, não o aprendizado de forma estanque, isolado, mas inserido em um contexto social, político, cultural, levando em conta o eu, suas experiências e leituras de mundo.

Outrossim, Rubem Alves, em um vídeo postado em 19 de novembro de 2022, nos faz refletir acerca do segredo de aprender, nos lembrando que ouvir as coisas que não são ditas é o segredo do aprender, ter sensibilidade de perceber o olhar, o gesto, os sentidos, muito além das palavras são peças fundamentais nessa construção do aprendizado.

Aprender através da experiência, do fazer, do observar o outro, com as vivências, com o experimentar, como nos remete Papert (2008) “quando aprendemos algo porque é significativo para nós, a aprendizagem se torna mais profunda” (Papert, 2008, p. 98). E neste ponto de vista, além da experiência aprendemos com os erros, pois “errar é parte integrante do processo de aprender” (Papert, 2008, p. 100).

O aprender está dentro de nós, podemos até estimular e encorajar o outro no seu processo de aprendizagem, mas aprender é individual e único. Pensar é voar sobre o que não se sabe, como nos lembra Rubem Alves (2022), “o aprendido é o que fica, depois que o esquecimento fez seu trabalho”, ou seja, ensinar para além dos muros da escola, ensinar sobretudo para a vida, antes de dar as respostas prontas, faz-se necessário estimular a pensar, resolver conflitos, situações problemas, aprender a fazer as perguntas antes de ter as respostas.

Cada indivíduo, de acordo com Gardner (1989), possui um perfil de inteligência única, ou seja, uma forma de aprender, com suas múltiplas inteligências, que poderá perpassar por campos distintos, tais como: a) lógica matemática; b) intrapessoal; c) musical; d) corporal/ cenestésica; e) espacial; f) naturalística; g) linguístico- verbal; h) interpessoal; i) criatividade; j) existencial; k) emocional, l) colaborativa. Em suma, cada pessoa tem uma combinação distinta de inteligência e o ensino deveria refletir essa diversidade.
Diante do exposto, o projeto de vida que me impulsiona a aprender sempre, são as pessoas, as relações, as conexões estabelecidas, os desafios, através do ouvir e das trocas de experiências, o que posso fazer para estimular novas aprendizagens, sua forma de pensa e repensar as coisas através da minha profissão (professora), através do diálogo, quando vou dar aula na pós graduação, ou ouço outros colegas com suas experiências, palestro ou ministro oficinas práticas de materiais adaptados para o público alvo da educação especial, da construção de recursos, pois tudo pode virar recurso, basta imaginar, criar, repensar. Repensar as ações do passado, com o olhar para o futuro, o novo, o vir a ser.



Descrição da foto: Na foto estou com centro com cabelo preso, blusa marrom e colar, com calça jeans, tanto do meu lado esquerdo quanto direito tem seis pessoas todas mulheres, o local é a Escola de Artes São Lucas em Castanhal, no seminário de educação especial e inclusiva, onde palestrei e apresentei minha pesquisa do mestrado, atrás do palco temos a bandeira do Pará, do Brasil, de Castanhal e a Bandeira da UFPA campus Castanhal. além de outros cartazes informativos sobre o evento.

RECOMENDAÇÕES SUGESTÃO DE VÍDEO:
Para se inspirar:
https://www.youtube.com/shorts/FmEnrCrcNJE
Para refletir:
https://www.youtube.com/watch?v=UATNNkLhRNo

Referências
ALVES, Rubem. A pedagogia dos caracóis. Verus editora, 2011.
ALVES, Rubem. Os quatro pilares: aprender a aprender. v. 1. São Paulo: Atta mídia e educação, 2008.
GADOTTI, Moacir. Aprender com emoção, ensinar com alegria. In: GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. – 2. ed. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2011, p.59-72. Versão acessível para leitor de tela.
PAPERT, Seymour. Uma palavra para a arte de aprender. In: PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 87-106. Versão acessível para leitor de tela.
GARDNER, Howard; HATCH, Thomas. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989. Versão acessível para leitor de tela.



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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por JORDAN DE SOUZA FRANCA -
A partir do contato com as leituras teóricas da disciplina e das discussões promovidas em sala de aula pelas professoras, bem como da interação com a diversidade da turma, composta por experiências profissionais e relatos de vida, tornou-se possível visualizar, de maneira mais concreta, as múltiplas formas de aprendizagem inerentes ao ser humano no processo de aquisição do conhecimento. Compreender que cada indivíduo possui particularidades em seu processo de aprendizagem favorece a ampliação de possibilidades para um ensino criativo e inovador, distanciando-se de metodologias tradicionais que pressupõem uma uniformidade na capacidade de aprendizado dos estudantes.

Nesse contexto, Gardner (1989) apresenta diversas formas de inteligência que refletem as variadas maneiras de interação do ser humano com o mundo. Partindo desse entendimento, é possível explorar as competências existentes nos estudantes e potencializar suas formas de aprendizado, considerando seus contextos sociais, sem se restringir exclusivamente às habilidades lógico-matemáticas e linguísticas, como predominou historicamente.

Entre essas múltiplas inteligências, um exemplo mencionado em sala de aula pela professora Danieli Costa me despertou especial atenção. Durante uma viagem em uma embarcação de pequeno porte, em determinado trecho do rio, houve risco de encalhe, o que poderia resultar em naufrágio. Nesse momento, solicitaram o auxílio do senhor Raimundo, um homem simples, mas detentor de uma inteligência espacial e naturalista desenvolvida ao longo da vida. Graças à sua orientação, foi possível desviar dos pontos críticos e prosseguir com segurança até o destino final.

Mediante a esse contexto, fica evidente a pluralidade de caminhos possíveis para o acesso ao conhecimento. O reconhecimento de que a aprendizagem se manifesta de diversas formas permite eliminar limitações arraigadas no modelo tradicional de ensino. Durante muito tempo, propagou-se a ideia de que o conhecimento exigia esforço extenuante e sofrimento, sem abertura para métodos inovadores. Consequentemente, aqueles que não se encaixavam nesse modelo eram frequentemente vistos como incapazes ou ignorantes, diante de um currículo rígido e padronizado.
A partir das reflexões de Gadotti (2011), percebe-se que a desconexão entre o aprendizado escolar e a realidade social de muitos estudantes contribui para o desinteresse pelo ensino. Isso demonstra que a dificuldade de aprendizagem não decorre da falta de capacidade dos alunos, mas sim da ausência de um vínculo significativo entre o currículo escolar e seus contextos de vida.

Com as discussões realizadas ao longo da disciplina, tenho compreendido que a construção do conhecimento exige não apenas aprender, mas também saber como aprender. A aprendizagem não ocorre por meio de um único método rígido, e um modelo inflexível não contempla as diversas necessidades educacionais dos dias atuais. A diversidade humana demanda que os docentes desenvolvam estratégias inovadoras, capazes de romper com a tradição do ensino convencional. Dessa forma, a implementação de recursos ilustrativos contribui para a compreensão dessa nova abordagem de transmissão do conhecimento, possibilitando o alcance de um maior número de estudantes.

O projeto de vida que, por muitos anos, me motivou a aprender estava vinculado à transformação da realidade social da minha família. Esse objetivo foi concretizado por meio de esforço e dedicação, culminando na conclusão da minha primeira graduação e na minha atuação como servidor público da Universidade Federal do Pará (UFPA). Entretanto, ao longo da minha trajetória profissional, a principal motivação para continuar aprendendo tem sido o impacto positivo que posso gerar na vida das pessoas, tenho uma satisfação imensa ao perceber que consigo alcançar esse propósito.

O trabalho desenvolvido na Diretoria de Acessibilidade da UFPA se insere nesse contexto. Há anos acompanho e presto atendimento a estudantes com deficiência visual, buscando sempre aprimorar meu conhecimento para contribuir com sua aprendizagem por meio das diversas formas de acesso disponibilizadas a esse público. No entanto, sabe-se que esses estudantes ainda enfrentam inúmeros desafios no ambiente acadêmico. Poder contribuir para a eliminação dessas barreiras motiva-me a continuar buscando conhecimento, a fim de lidar com essa diversidade de maneira criativa e inovadora, propondo estratégias e caminhos viáveis que permitam a construção de um modelo de ensino mais acessível, considerando suas particularidades e saberes de vida.
Por fim, é gratificante ver os estudantes atendidos pela Diretoria de Acessibilidade concluindo seus cursos de graduação ou pós-graduação e expressando sua gratidão pelos serviços prestados ao longo de sua jornada acadêmica. Esses momentos reforçam minha convicção de que estou no caminho certo e demonstram que a busca incessante por novos conhecimentos tem um propósito significativo que é transformar vidas.

Link 1 - https://www.youtube.com/watch?v=mgNhUddv_e8&ab_channel=AlexCanziani

Link 2 - https://www.youtube.com/watch?v=seMv7KzNSqo&ab_channel=CanalFutura
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por JEAN GOMES DOS SANTOS -
Reflexão sobre o Aprender

Nunca tive contato direto com a docência, mas sempre observei que o modelo tradicional de ensino se mantém presente, inclusive no ensino superior. Durante muito tempo, não questionei esse modelo que basicamente se resume a “dar aula”, como bem discute Moacir Gadotti (2011). Eu via essa forma de ensinar como uma verdade absoluta, até ser apresentado a outras possibilidades de aprender e construir conhecimento. Ao compreender que cada pessoa aprende de forma diferente, passei a entender que o que é central no processo de aprendizagem é encontrar aquilo que te motiva, aquilo que faz sentido para você. Só assim o conhecimento deixa de ser algo pesado, forçado, e se torna significativo.
Dentro da graduação de Secretariado Executivo Trilíngue, somos preparados para atuar em um mercado extremamente dinâmico, que exige respostas rápidas, produtividade e organização. No entanto, percebo que, muitas vezes, esse processo de formação acaba limitando nosso desenvolvimento criativo e científico. A lógica ainda é muito centrada na transmissão de informações, onde o professor fala e o aluno escuta, apenas para reproduzir depois no ambiente de trabalho.
Ao estudar Gadotti (2011), entendi que o professor deve assumir um papel muito além de mero transmissor de conteúdo. Ele deve ser, sobretudo, um mediador do conhecimento, aquele que ajuda seus alunos a encontrar, organizar e gerir o saber (Gadotti, 2011). Essa reflexão se tornou muito clara para mim quando tive contato com um professor que percebeu minhas dificuldades e me apresentou a possibilidade de aprender de maneira criativa, por meio da escrita criativa (Passos, 2009).

Percebi também, nas minhas próprias experiências e nas dos meus colegas, que muitos enfrentam dificuldades em diferentes áreas: alguns se destacam em idiomas, outros em organização de eventos, outros têm facilidade com processos e gestão. Isso está diretamente relacionado à teoria das inteligências múltiplas (Gardner, 1989), que compreende que cada pessoa possui formas distintas de aprender e desenvolver suas competências.

Foi a partir dessas vivências, e também ao ingresso no programa PPGCIMES, que descobri como o aprendizado pode se dar de formas não “tradicionais”. Por exemplo, aprender jogando ou por meio de simulações pode ser muito mais eficiente para mim do que métodos tradicionais baseados unicamente em leitura e repetição. Isso me fez entender, de maneira muito prática, que o centro do processo de aprendizagem é a motivação e o sentido que damos ao que aprendemos. O professor, nesse cenário, tem um papel crucial: ele deve mostrar os caminhos possíveis para que o aluno encontre sua melhor forma de aprender, ajudando a criar essa ponte entre o conteúdo e a vida. (Gadotti, 2011)

Meu Projeto de Vida: O que me motiva a aprender?

O que me move hoje no processo de aprender é a vontade de mostrar para o mundo, especialmente dentro da área do Secretariado Executivo, que o conhecimento pode ser construído de maneira criativa, inovadora e prazerosa. Minha experiência com narrativas, como a que comecei a desenvolver com Jayce Tales, não é apenas uma história… ela representa meu próprio processo de construção como pessoa, como profissional e como pesquisador. Meu objetivo é continuar essa caminhada, dentro do PPGCIMES ou em outros programas, levando essa metodologia para frente, mostrando que aprender pode, sim, ser leve, divertido e significativo.
Quero, através da pesquisa, da escrita, da criatividade e da educação, inspirar outras pessoas a perceberem que é possível unir conhecimento, carreira e prazer. Quero demonstrar que é possível ser feliz naquilo que se faz, desde que o aprendizado esteja conectado com nossos projetos, com nossos sonhos e com quem realmente somos.

Referencias:

GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar e aprender com sentido. São Paulo: Instituto Paulo Freire, 2011


PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da. Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009.


GARDNER, Howard; HATCH, Thomas. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.



Um imagem (Em pdf) que resume um pouco o meu Jayce, que define minha trajetória até ao momento:

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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por Amanda Santos de Nazaré -
Boa tarde!
A partir de minhas reflexões sobre as leituras indicadas e sobre as questões-norteadoras acerca do Conceito Nucleador 1, respondi aos questionamentos a partir da criação de um texto narrativo e transformei em uma pequena historinha. Está disponível no link: https://heyzine.com/flip-book/a2324332c9.html

A imagem mostra uma história em quadrinhos (HQ) educativa, com o título "Descobrindo o Motivo de Aprender".

- Escrevi o texto narrativo, ilustrei com uso de IA Generativa, sistematizei com uso do Canva e publiquei usando o Heyzine flipbook.

A foto usada como referência para ilustração foi essa:
A imagem mostra duas mulheres lado a lado sorrindo. A direta uma jovem e a esquerda uma mulher de meia idade. 
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por LAENA MARQUES DE LIMA TEIXEIRA -
Na minha perspectiva, a construção do conhecimento se dá pela resiliência. Como temos visto durante as primeiras leituras dos textos bases, bem como percebo o meu tipo de aprendizagem, os processos não se dão de forma linear/padronizada para todas as pessoas e isso pode ser um convite para a reflexão, de alguma maneira, sobre como temos que avaliar e lidar com os diferentes tipos de aprendizagem e compreendê-los dentro do processo formativo de discentes.

Nesse cenário, tão diverso, temos que destacar a importância em dialogar com o contexto no qual as pessoas estão inseridas, pois a cultura tem um papel muito forte no modo como os indivíduos são incentivados à leitura, ao estudo, ao modo como lidam com outras pessoas, como desenvolvem seus processos formativos, suas práticas laborais etc.
 
Os desafios atuais no contexto de ensino e aprendizagem sofrem transformações constantemente. Os percebo como pequenas “atualizações de softwares”, os quais nem sempre são benéficas para todos os usuários, principalmente, quando lidamos diretamente com o universo digital e o mundo das telas.

Em um trecho, Gadotti (2011) ressalta um grande desafio imposto aos ambientes educacionais e os profissionais envolvidos, que é reformular esses espaços em um lugar mais interessante aos alunos. Isto se dá porque a maioria de crianças e adolescentes estão mais expostas a combinação de muitos estímulos diante das telas, além da busca pela recompensa através da dopamina (neurotransmissor associado a motivação, recompensa, prazer), do qual resulta em ciclo constante que impacta diretamente a concentração, atenção e a própria motivação em estudar dentro de um ambiente do qual o ponto principal é a interação do professor com o aluno.

Essa falta de interesse em focar a atenção para coisas que não envolvam o celular está sendo chamada de “brain rot” e podemos saber um pouco mais neste vídeo: 

Este também é um vídeo muito pertinente nos dias de hoje para a reflexão sobre a escola e a internet, de Manuel Castells, do qual conversa diretamente com os textos: 
 

Voltando para o início desta discussão sobre o que é central para construir o conhecimento, ratifico que a resiliência é o ponto de partida, até mesmo para a motivação dos meus projetos de vida. Quando nos fortalecemos diante das dificuldades, ao nos adaptarmos com o contexto em que estamos inseridos e persistimos com otimismo e flexibilidade, abrimos portas para não desistir dos nossos sonhos. Acredito que esta seja a chave que me motiva a aprender.
Deixo aqui um trecho - entre vários vídeos - de Bob Ross, onde ele ensina pessoas a pintarem, mas enquanto ensina, ele também deixa várias lições que vão além do ato de conseguir pintar uma paisagem.
Sobre aprender: “Tudo na vida é uma experiência de aprendizado. (...) caso não tenha funcionado do jeito que você quis, isso não um fracasso. Apenas significa que você aprendeu alguma coisa.”

Na imagem anexada está um "print" de um vídeo do Bob Ross, com a legenda em inglês. A tradução livre é: "Enquanto você estiver aprendendo, você não está falhando."
Anexo 11ApFr8a7vTag5Ao4hxsCWw@2x.png
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por INALDO DE SOUSA SAMPAIO FILHO -

Na minha perspectiva, o estímulo é o elemento central do processo de aprendizagem, seja ele oriundo da motivação pessoal, da curiosidade ou da necessidade. No entanto, quando o estímulo parte exclusivamente da necessidade, geralmente o caminho tende a ser mais difícil, demandando mais tempo e maior esforço de engajamento, e uma busca constante por recursos que auxiliem nesse processo de aprendizagem.

Descobri, ao longo dos primeiros encontros e das leituras propostas, que o processo de aprender é tão importante quanto o processo de ensinar. Ainda não me sinto totalmente seguro em afirmar que “aprendi”, mas algo já me fez refletir, principalmente sobre o meu papel profissional como docente; afinal, a minha profissão é hoje o meu maior estímulo para aprender.

Antes, imaginava que transmitir o conteúdo aos meus alunos resultaria, automaticamente, em aprendizado. Porém, compreendi que um conteúdo sem conexões e sem significado dificilmente será de fato aprendido. Diante disso, passo a me questionar: como posso criar condições de aprendizado para os meus alunos que vão além de um entendimento isolado de um conteúdo?

É necessário ir além da simples transmissão, considerando as mais diversas formas de apresentar os conteúdos, reconhecendo os múltiplos saberes da aprendizagem. Tenho consciência de que esse percurso será pautado no autoconhecimento e, nesse sentido, me coloco na posição de discente, que, ao ter acesso aos conteúdos sobre aprendizagem, busca transformar esses saberes em conhecimento útil e aplicável.

Da mesma forma que percebi o quão essencial é o conceito de aprender com significado, também desejo, na condição de docente, atribuir sentido ao que ensino, utilizando os mais diversos recursos, inclusive inspirar/seduzir, como estratégias pedagógicas. Ademais, poder mobilizar transformações significativas nos meus alunos será parte do meu caminho contínuo de aprendizagem, pois ensinar e aprender são processos igualmente importantes.


Anexo e332279b-8b27-42a9-8b1e-db283df6d0b4.png
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por CAMILA MAYARA COSTA OLIVEIRA PRADO -
Na célebre obra "O Leopardo", de Lampedusa, a frase proferida por Tancredi — "É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma" — encapsula uma verdade intrigante. Essa máxima resume a ideia de que, por vezes, mudanças superficiais são necessárias para preservar a estrutura de poder e a ordem social estabelecida. Essa percepção não apenas ressalta a importância de reconhecer e valorizar a tradição e a história, mas também a inegável necessidade de nos adaptarmos às transformações sociais e à evolução do mundo.
Essa dinâmica entre mudança e permanência encontra um paralelo notável na minha própria vivência familiar. Receitas culinárias e de medicamentos, por exemplo, são passadas por gerações, e com elas, saberes basilares que moldam os valores que acreditamos e queremos repassar. Entre esses, destaca-se o respeito às histórias contadas pelos mais velhos e a compreensão da própria inexperiência para desenvolver a capacidade de ouvir e observar. Ao longo de cinco gerações, a forma como esses valores foram transmitidos ganhou novos métodos, mas os saberes essenciais permanecem, pois são eles que nos caracterizam como sujeitos da família vinda de D. Valentina.
Ao observarmos o percurso dessas gerações, notamos um movimento que reflete, de certa forma, a mesma lógica de saberes compartilhados. Embora haja um processo, ainda que lento, de superação de uma visão estritamente centrada na figura dos avós para uma abordagem mais focada nos netos, a força do narrar persiste como uma instituição que sobrepuja a mera transmissão de informações. O progresso, embora gradual, muitas vezes se limita a um modelo em que as novas gerações – netos e bisnetos – incorporam outros métodos e narrativas, dominam conteúdos diversos e os trazem para o diálogo, muitas vezes em contraste com as tradições.
Contudo, ao expandir essa reflexão para o contexto educacional, surge uma questão fundamental: É suficiente memorizar, compreender e aplicar este conhecimento apenas para superar provas escolares? Para quê? Qual o verdadeiro sentido que o conhecimento tem ou deveria ter em nossa formação e vida?
Para encontrar respostas a essas indagações, é crucial nos deter em algumas perspectivas teóricas. Gadotti (2011), por exemplo, defende que o aprendizado deveria ser significativo, estabelecendo uma relação profunda com o contexto do aluno. No entanto, a escola tem sido tradicionalmente vista como um ambiente de "saber" – um repositório de informações – o que pode explicar por que muitos alunos frequentam a instituição para "saber" e não, de fato, para "aprender". Essa crítica é ecoada por Papert (2008), que questiona a compreensão tradicional da "pedagogia" e critica abertamente o modelo de educação onde o professor "transmite" conhecimento. Para ele, a aprendizagem é um processo ativo de "construção de conhecimento", com o intuito de melhorar a autonomia e ampliar a rede de aprendizado do indivíduo.
Como podemos notar nas diferentes abordagens desses autores, todos convergem para a ideia de que a educação precisa ser um campo de diálogo, onde o aluno é protagonista no processo e não um mero receptáculo. Trata-se de um processo ativo para a vida, no qual o mercado de trabalho é apenas uma parte do que se pretende desenvolver no sujeito. Por essa razão, Fava (2020) tece uma crítica pertinente ao modelo educacional vigente, que, segundo ele, é marcado pela massificação e se encontra em desajuste com a sociedade contemporânea, reforçando a urgência de uma mudança que, ao invés de apenas preservar, verdadeiramente transforme.

Para complementar:
https://www.youtube.com/watch?v=Tqt9BnrolFg

Para conhecer um pouco mais:
https://www.instagram.com/reel/DIwEquTOYhW/

Livro:
chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/8748486/mod_resource/content/1/Antonio%20Bispo%20dos%20Santos%20-%20A%20terra%20da%CC%81%2C%20a%20terra%20quer-Ubu%20Editora%20%282023%29.pdf
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por TONYA GONÇALVES PINHEIRO -

     Viver é construir conhecimento continuamente, desde que nascemos estamos em um constante processo de aprendizagens que constituem o nosso ser. Mamar, comer, falar, andar, brincar, ler, escrever, calcular, por exemplo, são ações iniciais na construção de saberes que vamos adquirindo e aperfeiçoando ao longo da vida. Dessa forma, o plano de vida vivido é central na construção de conhecimento e aprendizagem, quando crianças nossos planos são gerenciados por nossos pais e quando amadurecemos podemos ser autores do nosso projeto. Assim, o que determina são as vivências, de fato, pois se os planos não saírem do papel não haverá construção pautada neles, mas sim no que foi experenciado para além do plano.

     Ter um projeto de vida é importante, porque orienta os rumos que seguiremos, tais como escolha de carreira, relacionamentos, atividades, religião, hobbies etc. No entanto, ao longo da jornada os projetos são recalculados e retificados, uma vez que precisão fazer sentido com o momento atual. Segundo Gadotti (2011, p. 69), o processo de ensino-aprendizagem deve ter sentido para o projeto de vida, para que seja um processo verdadeiramente educativo. Eleger as vivências como central na formação do conhecimento é concordar com Gadotti (2011, p. 62) quando ele diz que “aprendemos a vida toda” e “É o sujeito que aprende através da sua experiência”. Então, o ponto essencial está justamente no viver. “Vivendo e aprendendo” como diz uma expressão popular.

     Muitas pessoas se perguntam quanto tempo é necessário estudar para passar em um vestibular, em um concurso, em um mestrado ou doutorado e a resposta imediata que penso é: a vida toda.  Partindo do princípio de que o conhecimento é um arcabouço de saberes desenvolvido e sedimentado no decorrer de toda a nossa existência. Até porque, o que fazemos de forma automática hoje, foi aprendido aos poucos no passado, como ler e falar. Conforme Alves (2002, p. 3, apud Godotti, 2011, p. 60) “o corpo aprende para viver. É isso que dá sentido ao conhecimento”.

     Nesse sentido, vale destacar a teoria da matética criada por Papert (2008, p. 88) que consiste na arte de aprender, o conhecimento adquirido sobre a aprendizagem. Essa ideia perpassou diretamente as duas primeiras aulas, na apresentação dos questionamentos interativos da professora Fernanda (O que é conhecimento? Como você aprende? Qual o seu principal recurso/fonte de conhecimento?); na apresentação da professora Gláucia (Que recurso acionamos para aprender e ensinar ao longo do tempo? Paideia grega-Paideia digital); na apresentação da professora Danielle (Múltiplas inteligências. Qual é o seu estilo de aprendizagem?). Ser provocada a refletir como eu aprendo, gerou um exercício de autoanálise e autoconhecimento, dessa maneira constatei que possuo diferentes formas de aprender os mais diversos assuntos em meio à infinidade de recursos disponíveis.

     Após todo o bombardeio de conhecimentos dessas aulas iniciais, penso que o projeto de vida que me motiva a aprender é aquele que passa no “concurso do sentido” (Godotti, 2011, p. 63). Para mim, o que faz sentido está ligado ao viver bem e com qualidade, individual e coletivamente. O projeto de vida mapeia o caminho para diferentes alvos e objetivos a serem alcançados, a realização de cada meta traçada me motiva a aprender cada vez mais. Os desafios transpassam qualquer projeto de vida e também são estimulantes do aprender, do criar, do solucionar e vencer. Assim foi com os desafios lançados à turma. Só tínhamos um metro de fita adesiva, dez folhas de papel A4 e um sonho de construir uma torre estável e alta. Nossa equipe usou as múltiplas inteligências de Gardner (1989) para cumprir a missão. Revisitamos habilidades arquivadas, exercemos uma engenharia amadora, compartilhamos ideias, construímos saberes com a conexão de diferentes experiências até chegar ao produto final, bem-sucedido e econômico, pois sobrou fita. 

     O outro desafio foi conectar a teoria com a prática em um contexto ribeirinho (preestabelecidos por sorteio). Nossa equipe acessou todo o conhecimento que tínhamos sobre o assunto e depois de muitas discussões sobre vivências, teorias e aplicabilidades ao contexto em questão conseguimos propor uma ação.  Propomos o incentivo e fomento ao turismo comunitário, empreendedorismo ribeirinho em que a própria comunidade é protagonista/dona dos seus negócios, até porque nada melhor do que os anfitriões apresentarem suas casas. Baseado no termo “segurança intelectual” e “matética” (Papert, 2008, p. 95). Portanto, sem dúvida os desafios encontrados do decorrer do projeto de vida são molas impulsionadoras de aprendizagens que levam a grandes ideias e soluções para inúmeros contextos.

     Duas aulas recheadas de muitas aprendizagens. Aprendi que todo bom projeto requer tempo e dedicação. O tempo é uma variável relevante para a construção de conhecimento. Para Godotti (2011, p. 62) não há tempo próprio para aprender, pois podemos aprender a vida toda, mas para aprendermos é necessário “dar-se tempo a si mesmo” (Papert, 2008, p. 92).  Demorei para decidir se faria o mestrado, se escolheria dedicar tempo a essa fase de aprendizagem, neste momento da vida, até perceber que eu precisava escolher me dar esse tempo de mestrado e estou sendo feliz em minha escolha. Nunca estive em uma sala tão diversa, aprendendo com teorias, vivências e conexões extremamente enriquecedoras. Concluo com o conselho matético de Papert (2008, p.105) “Procurem conexões!” são elas que agigantam o conhecimento. Conceito nucleador 1 vivido com sucesso!


REFERÊNCIAS

FAVA, Rui. O retorno da Paideia grega em forma de Paideia digital. In: DEBALD, Blasius. Metodologias ativas no ensino superior: o protagonismo do aluno. Porto Alegre: Penso, 2020.

GADOTTI, Moacir. Aprender com emoção, ensinar com alegria. In: GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. – 2. ed. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2011.

GARDNER, Howard; HATCH, Thomas. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.

PAPERT, Seymour. Uma palavra para a arte de aprender. In: PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artmed, 2008.

 

O mapa mental é uma das formas que aprendo e memorizo ideias. Feito com uso do Canva.

Mapa mental com fotos das aulas, ideias centrais do conceito nucleador 1 e teóricos. Fundo na cor azul com linhas conectadas.

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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por LAURENA MARIA MORAES DA COSTA -
PROJETO SER LEITOREsta citação introduz ideias essenciais sobre o aprendizado como um processo contínuo, individual e intimamente ligado ao sentido que atribuímos à nossa própria trajetória. Portanto, a construção do conhecimento está fortemente ligada ao sentido que o estudante dá ao processo de aprendizado. O processo de aprendizado é dinâmico e constante, exigindo envolvimento, análise crítica e conexão com a realidade vivida. É essencial que o conteúdo esteja em sintonia com as preferências, experiências e metas de vida do indivíduo, uma vez que um conhecimento verdadeiramente significativo não é construído apenas pela mera memorização de informações, mas pela sua reinterpretação no contexto pessoal e social.
Adicionalmente, a aprendizagem requer tempo, comprometimento e propósito. A consolidação do conhecimento se dá por meio da prática, experimentação e revisão contínua do que foi aprendido. Portanto, o espaço de aprendizado deve promover a autonomia, colaboração, raciocínio crítico e troca entre diferentes saberes. A função das abordagens ativas e da mediação pedagógica também é fundamental nesse contexto, especialmente nas instituições de educação contemporâneas.
Além disso, a aquisição de conhecimento requer: curiosidade autêntica, que é o desejo de entender melhor o mundo ao nosso redor; autonomia, que diz respeito à capacidade de buscar, selecionar e usar informações de forma autônoma; tempo e reflexão, pois o aprendizado não acontece de forma automática; é preciso oferecer um espaço para meditação, erros e correções; afetividade e propósito, que são as emoções e motivações que estão no cerne do processo, onde aprendemos de maneira mais eficiente quando estamos emocionalmente envolvidos; e relações humanas, onde absorvemos muito uns dos outros através de interações, colaborações e até mesmo interações.
Este conjunto de conceitos se alinha a abordagens pedagógicas contemporâneas, como a aprendizagem baseada em projetos, metodologias ativas e pedagogia crítica, destacando a importância de uma educação que seja humana, contextualizada e ética. O aspecto fundamental do aprendizado é o significado pessoal. Verdadeiramente, só conseguimos aprender quando o que estamos estudando se relaciona de forma significativa com nossas vidas, objetivos e sentimentos internos. O aprendizado vai além de simplesmente reunir dados; envolve integrá-los em nossas experiências, analisá-los, conectá-los ao nosso conhecimento prévio e às nossas aspirações. Além disso, o desenvolvimento do conhecimento demanda: curiosidade genuína, que é o impulso para compreender mais profundamente o nosso ambiente; autonomia, que representa a habilidade de buscar, escolher e utilizar informações de forma independente; tempo e reflexão, pois a aprendizagem não ocorre de maneira automática; é essencial permitir momentos para pensar, errar e corrigir; afetividade e propósito, onde emoções e motivações são centrais no processo, e aprendemos de forma mais eficaz quando nos sentimos conectados emocionalmente; e, por último, as interações humanas, pois adquirimos muito conhecimento uns com os outros através de trocas, colaborações e até conflitos. Este conjunto de conceitos está em consonância com abordagens educacionais modernas (como aprendizagem baseada em projetos, metodologias ativas e pedagogia crítica) e destaca a necessidade de se desenvolver uma educação que seja humana, contextualizada e ética.
"Aprende-se o que tem relevância para o próprio projeto de vida." A aprendizagem não é neutra nem universal, ela está ligada aos anseios, metas e identidades de quem a realiza. Isso enfatiza a relevância de adequar os conteúdos educacionais aos interesses e contextos dos aprendizes.
"Aprendemos ao longo de toda a vida. Não existe um tempo específico para aprender." O aprendizado não se limita à infância ou adolescência, nem ocorre apenas em contextos formais. Ele se dá em diferentes momentos e lugares, desafiando modelos educacionais rígidos e cronológicos.
"Além disso, é necessário tempo para aprender e consolidar informações." Esse ponto entra em conflito com a lógica imediatista da sociedade atual. A aprendizagem requer tempo, reflexão, revisão e experimentação. Consolidar informações significa processá-las, conectá-las ao que já sabemos e integrá-las à vida diária. Este trecho destaca a importância do ritmo do aprendizado, que não pode ser acelerado de forma artificial.
"Não é possível simplesmente inserir dados e informações na mente de alguém." Essa afirmação critica o modelo educacional bancário proposto por Paulo Freire, onde o educador "deposita" conteúdos no aluno. A metáfora utilizada aqui ressalta que o conhecimento não é algo externo a ser imposto, mas deve ser construído ativamente por quem aprende.
"É necessária também disciplina e comprometimento." Por último, essa passagem reconhece que, embora a aprendizagem deva ser significativa e adaptada a cada indivíduo, ela também requer esforço, responsabilidade e constância. A motivação interna não é suficiente; é preciso empenho. Esta parte equilibra a discussão ao reconhecer o papel do aprendiz como ativo, mas também comprometido com o processo.
O que me impulsiona a estudar é meu compromisso com a formação de cidadãos críticos e transformadores por meio da educação e do acesso à informação. Meu projeto de vida está focado em atuar na área de letramento informacional além dos muros da biblioteca universitária e da academia, especialmente na região amazônica, onde os obstáculos ao acesso, à permanência e à produção de conhecimento exigem iniciativas mais inclusivas, práticas e inovadoras.
Nesse contexto, o aprendizado envolve a aquisição de competências que possibilitem não apenas a recepção de informações, mas também o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia intelectual das pessoas na Amazônia, ajudando assim a fortalecer suas trajetórias acadêmicas e profissionais. Portanto, a busca por uma educação que tenha relevância, que incentive o diálogo e que se comprometa com a realidade social é o fundamento que orienta minha formação e minhas pesquisas.
Nesse cenário, aprender envolve desenvolver habilidades que permitam não apenas o recebimento de informações, mas também a capacidade crítica e a autonomia intelectual dos indivíduos amazônidas, contribuindo para o fortalecimento de suas trajetórias tanto acadêmicas quanto profissionais. A busca por uma educação que seja significativa, que promova o diálogo e que se comprometa com a realidade social é, portanto, o princípio que guia minha formação e minhas investigações.
Uma experiência marcante que tive foi o Projeto Ser Leitor intitulado “Oficina de produção de livros para idosos”, realizado no CRAS, foi uma experiência emocionante compartilhar conhecimento com eles, eu levei minha teoria e eles me deram histórias de vidas, a vivências de longos anos. E quando eu disse vamos produzir os livros, muitos me perguntaram como vou fazer nunca estudei, respondi usem a imaginação, outros disseram que não sabiam escrever e eu disse vamos desenhar, porque é uma forma de escrever, e sempre eles levantavam algum questionamento não porque não queriam fazer a atividade, mas por estarem com vergonha e eu sempre colocando-os para cima, incentivando, com palavras de apoio vamos vocês conseguem, usem a criatividade e a imaginação. E agora com que tenho aprendido no PPGCIMES, vi que naquele momento usei a criatividade, a imaginação e a inovação e vou além cada autor indicado como bibliografia básica da disciplina fez eu perceber que há algum tempo eu já fazia algumas coisas, mas eu ainda não tinha embasamento teórico. Gadotti menciona que a emoção e a alegria são essenciais para a conquista dos estudantes; uma aula repleta de amor e felicidade enriquece o conhecimento e restaura a autoestima. Ele, inspirado por Paulo Freire, acredita que a alegria é um direito na educação e que o afeto é um impulsionador do aprendizado. Por sua vez, Fava adapta esta ideia para a contemporaneidade, defendendo uma educação ativa fortalecida pelas tecnologias digitais, que promova o desenvolvimento de competências cognitivas e emocionais, com o estudante no papel central. Gardner, por outro lado, propõe uma nova perspectiva sobre a educação, desafiando tradições e estimulando práticas pedagógicas que sejam mais humanas e democráticas. Já Papert critica o foco tradicional da educação no ensino, sugerindo que deveríamos priorizar o aprendizado. Ele questiona a pedagogia convencional, que é centrada no docente e no controle do processo educativo, defendendo a necessidade de promover a autonomia dos aprendizes.
Anexo PROJETO SER LEITOR 2.jpg
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por Geane do Socorro Rovere Leal Pinheiro -
“Aprende-se o que é significativo para o projeto de vida da pessoa.” (Gadotti, 2011, p. 62). Essa frase ressoa profundamente em mim, tanto como professora quanto como uma eterna aprendiz. Desde que passei a atuar em sala de aula, sempre fui movida por uma inquietação: como meus alunos aprendem? E, mais ainda, como posso conectar o meu aprendizado ao deles?
Desde o início da minha trajetória como docente, escolhi como projeto de vida compreender o processo de aprendizagem — não apenas como transmissão de conteúdos, mas como um fenômeno humano, sensível, marcado por histórias, emoções e contextos. Sempre fui muito próxima dos meus alunos e aprendi muito fora dos livros: em rodas de conversa, em atividades reflexivas nos mais diversos ambientes, sempre buscando favorecer o aprendizado deles. Aprendo ao observar o brilho no olhar de um estudante que finalmente compreende algo, ou o silêncio de outro que, por não sentir que aquele conteúdo é relevante para si — ou simplesmente por não se ver representado no que está sendo discutido — se distancia da aprendizagem.
Gadotti (2011) destaca que o aprendizado acontece quando há sentido, e que ninguém aprende sob imposição ou por acúmulo mecânico de informações. Isso me lembra que somos sujeitos inacabados, como ele afirma, e que precisamos de tempo, vínculo e experiências para que o conhecimento se integre à nossa história.
Como professora de Redação com foco no ENEM e de Língua Portuguesa no Ensino Médio, vejo diariamente que cada estudante carrega um universo particular. É nesse ponto que a Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1989), fez tanto sentido para mim. A aprendizagem significativa não se limita ao raciocínio lógico ou à linguagem verbal. Ela envolve o corpo, os afetos, os sons, os espaços, as relações — múltiplas formas de construir e expressar saberes. Cada aluno aprende de um jeito, e cabe a nós, professores, reconhecer e valorizar essa diversidade, considerando essa multiplicidade também nos processos avaliativos.
Por isso, mais do que ensinar conteúdos, busco criar experiências. Quero que meus alunos escrevam não apenas porque precisam de uma nota, mas porque têm algo a dizer ao mundo — e que saibam que suas opiniões são valorosas e importantes.
Meu projeto de vida é ser ponte: entre o que eles são hoje e o que podem se tornar. Desejo ajudá-los a pensar, desejar e planejar um futuro melhor, seja por meio da educação formal ou não formal. Quero estar sempre disponível para apoiar, aconselhar, orientar em suas dúvidas e ajudá-los a potencializar suas inteligências. Ser uma educadora que não apenas ensina, mas também aprende junto — com afeto, escuta e compromisso com um ensino que tenha um propósito maior.
Nesse contexto, gostaria de compartilhar o vídeo O Ponto, baseado no livro O ponto, de Peter H. Reynolds. Ele ilustra com sensibilidade essa visão. Nele, uma professora encoraja a aluna Vashti, que acreditava não saber desenhar. Com um gesto simples — pedir que ela apenas “faça um ponto” — inicia-se uma jornada transformadora de autoconfiança, criatividade e descoberta. Esse pequeno gesto, que revela escuta atenta e valorização do sujeito, é o que desejo cultivar em sala de aula.
Assim como Vashti descobre seu talento, quero que meus alunos percebam que aprender pode ser leve, criativo e, acima de tudo, significativo. Aprender e ensinar, como nos ensina Paulo Freire, são gestos de humanidade. E quando o conhecimento nasce do sentido, ele se enraíza — e floresce.

https://www.youtube.com/watch?v=MMoSkkARFr4

Referências bibliográficas:
GADOTTI, Moacir. Aprender com emoção, ensinar com alegria. In: GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. – 2. ed. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freite, 2011, p.59-72.
GARDNER, Howard; HATCH, Thomas. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989.
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por ALINE STFFANE ALMEIDA DA SILVA -
O conceito norteador 1: Construção de conhecimento discutido em sala, trouxe abordagens importantes sobre o processo contínuo de aprendizagem que desenvolvemos ao longo da vida. De acordo com Gadotti (2011), “aprendemos porque somos seres inacabados”, partindo dessa reflexão, acredito que o ser humano vive em constante aprendizado, temos a capacidade de aprender algo novo em atividades simples do dia-a-dia, quanto em situações mais formais, como por exemplo nos estudos e no trabalho.

Na minha percepção, a construção do conhecimento precisa ser constantemente estimulada. Ainda segundo Gadotti (2011), “todo ser vivo aprende na interação com seu contexto”, o que evidencia que a aprendizagem se desenvolve na vivência do ambiente e nas trocas que realizamos com as outras pessoas. No entanto, é importante reconhecer que nem todos têm as mesmas oportunidades de desenvolver um pensamento crítico e reflexivo.

Outro aspecto relevante destacado por Gadotti (2011) refere-se à importância da disciplina e da disposição para aprender, uma vez que cada um de nós possui seu próprio ritmo de aprendizagem, alguns aprendem com mais facilidade, enquanto outros necessitam de mais tempo e esforço.

Aprender algo novo nos oferece a possibilidade de ampliar nossos conhecimentos e nos tornarmos sujeitos mais ativos e críticos na sociedade.

Nesse contexto, considero duas perspectivas que me motivam a aprender. No âmbito pessoal, sinto muita curiosidade ao novo, em aprender e me desafiar. Já na vida profissional, o que me motiva é a busca constante por novos conhecimentos que contribuam para minha formação.

Como pedagoga, sempre acreditei que o estudo tem o poder de transformar vidas e abrir caminhos. Por isso, encaro o aprendizado como uma ferramenta essencial para meu desenvolvimento pessoal e profissional, pois acredito que só assim poderei oferecer um serviço e um atendimento de qualidade na universidade em que trabalho atualmente.

Por fim, tenho o desejo de continuar aprendendo para alcançar novos horizontes e oportunidades na carreira pública.

Para refletir!
https://www.youtube.com/watch?v=bhrxz6kq7qA

Referências bibliográficas
GADOTTI, Moacir. Aprender com emoção, ensinar com alegria. In: GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. – 2. ed. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freite, 2011, p.59-72.
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por UISIS PAULA DA SILVA GOMES -
Na sua perspectiva, o que é central para construir conhecimento/ aprender?

Sob a minha perspectiva, a vida humana se constitui ao longo de um processo histórico marcado por aprendizagens construídas nas vivências sociais. Por exemplo, os ambientes nos quais vivi contribuíram para a formação da minha educação, valores e princípios. Aprendi a língua portuguesa por meio da interação com pessoas ouvintes, enquanto a Língua de Sinais foi adquirida por meio do convívio com meus pares em uma escola especializada para surdos e com a comunidade surda de maneira mais ampla. Para além disso t'ambém utilizei recursos tecnológicos como YouTube e Orkut, que disponibilizavam diversos vídeos em Libras, os quais possibilitaram a ampliação do meu repertório linguístico e o acesso a novas informações. Tive ainda a oportunidade de acessar plataformas acadêmicas acessíveis para surdos, como o curso de Licenciatura em Libras, que foi fundamental para o meu desenvolvimento linguístico e acadêmico. Nós, seres humanos, nascemos, crescemos, aprendemos continuamente com os outros, tudo isso é processo da evolução. Em qualquer momento da vida, sempre aprendemos com os outros e também com a ajuda de recursos tecnológicos. Em minhas experiências de viagens, por exemplo, sempre aprendi sobre novas culturas e contextos regionais. Concordo com os autores recomendados como GADOTTI(2011), PAPERT(2008) e FAVA (2020) os quais destacam sobre a importância da interação com os outros porque nessa interação, aprendemos e compreendemos os mais variados temas.

Que projeto de vida lhe motiva a aprender?

Sempre tive interesse em aprender novas coisas, sejam relacionadas ao universo dos ouvintes ou não. O sentido da vida profissional começou a se consolidar quando iniciei a docência no ensino superior. Já tendo vivenciado a experiência da educação inclusiva, no qual, infelizmente , não tive acesso a muitas oportunidades acessíveis. Compreendo hoje, enquanto professora de Libras no contexto acadêmico e da pesquisa, a importância de compartilhar minha trajetória e conhecimento. Considero essencial relatar minha vivência na escola inclusiva e, ao mesmo tempo, contribuir com meu repertório linguístico, fundamentado em bases teóricas dos estudos voltados à pessoa surda e a Libras, aos alunos ouvintes interessados em integrar a Libras aos seus cursos específicos.

Percebo que, quando os alunos demonstram interesse pela Libras, aprendem com prazer e conseguem aplicar o conhecimento em suas pesquisas. Apresentando um desenvolvimento rápido. Concordo com o autor Gadotti (2011, p. 70) quando afirma:

 
Para ensinar, são necessárias, principalmen-
te, duas coisas:
a) gostar de aprender, ter prazer em ensinar,
como um jardineiro que cuida com emoção
do seu jardim, de sua roça;
b) amar o aprendente (criança, adolescente,
adulto, idoso). Só aprendemos quando aqui-
lo que aprendemos é “significativo” (Piaget)
para nós e nos envolvemos profundamente
no que aprendemos.
O que aprendemos deve fazer parte do nosso
projeto de vida. É preciso gostar de ser professor
(autoestima) para ensinar.


No contexto escolar, infelizmente, há poucas possibilidades de permitir que os alunos escolham as disciplinas de acordo com as suas vontades e interesses, o que dificulta seu aprofundamento desenvolvimento nos estudos. Infelizmente, o sistema educacional impõe uma prática em que os professores apenas transmitem conteúdos de forma tradicional sem desenvolver muitas atividades dinâmicas como filmes, jogos educativos ou brincadeiras, que poderiam promover uma aprendizagem mais eficaz, prazerosa e significativa.

     Nas universidades, por outro lado, os acadêmicos dispõem da autonomia para escolher grupos de pesquisa conforme seus interesses, o que proporciona prazer uma aprendizagem mais colaborativa e motivadora. A interação com seus pares e o envolvimento em projetos de pesquisa contribuem para um ambiente de aprendizagem mais estimulante. Como afirma Gadotti (2011, p. 62): “Só aprendemos quando colocamos emoção no que aprendemos. Por isso, é necessário ensinar com alegria.” (SNYDERS, 1986). Dessa forma é essencial que os professores atuem com didática e prazer no ensino promovendo metodologias que envolvam os alunos de maneira ativa e interativa, como o uso de vídeos, jogos e dinâmicas educativas, facilitando a compreensão dos conteúdos de forma significativa.

Um exemplo inspirador é o de uma mulher Hellen Keller, surdocega que destacou a importância da interação com outras pessoas. Apesar de nascer cega e surda, ela aprendeu os diversos modos de comunicação com o auxílio de uma professora com baixa visão, utilizando métodos como o Tadoma (que consiste na colocação da mão sobre o rosto de quem fala para sentir as vibrações da fala e leitura labial ‘tátil’) e o alfabeto manual tátil. Essa mulher se desenvolveu intelectualmente, tornou-se conhecida internacionalmente e proferiu diversas palestras, após a criação de várias estratégias para contribuir para o desenvolvimento de Hellen Keller. Ela evidenciou a importância da interação com o outro para o processo de aprendizagem e crescimento pessoal.

https://images.app.goo.gl/MnFmm

A seguir, compartilho alguns links que permitem conhecer um pouco da história de Hellen Keller:

https://youtu.be/QzT9f9xz338?si=Jo0AQlq0sKlLGK0S

https://youtu.be/Rb2HaLd4D_E?si=Cciw-amDI2D5nvKP

Caso tenham interesse, recomendo assistir ao filme completo sobre a trajetória dela:

https://youtu.be/z3mCkggD6qg?si=m1hSkfnjlBkLk-iq

Abaixo, apresento alguns vídeos que ilustram a aplicação prática de Libras em diferentes contextos de pesquisa e ensino:

Durante um período, atuei como coordenadora de diversos projetos voltados à integração da Libras com a Dança. Os professores participantes eram, na época, meus alunos do curso de Licenciatura em Dança da UFPA. Esses docentes aprenderam Libras e também materiais didáticos adaptados por meio das minhas orientações.

Como resultado, os estudantes surdos conseguiram compreender os comandos dados pelos professores durante as atividades.

O ensino de quadrilha junina para jovens surdos:

https://drive.google.com/file/d/1k_WaRMp3s9NElgiOOMXjW74SgxjDyYON/view?usp=drivesdk

O ensino de ballet para crianças surdas:

https://drive.google.com/file/d/13AevRKxYMCn-H5m7OriLUhk19bpUYwqx/view?usp=drivesdk

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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por BECKY TAM LEÃO -
Os primeiros encontros da disciplina, acompanhados pelas leituras indicadas e pelas discussões em sala de aula, provocaram em mim um processo de ressignificação dos conceitos de ensinar e aprender. Com base nas contribuições teóricas de diversos autores indicados, passei a compreender a educação não mais como simples transmissão de informações, mas como uma experiência viva, significativa e transformadora.
Nesse novo olhar, percebo a importância de repensarmos a forma como aprendemos, especialmente diante das transformações provocadas pela tecnologia digital e das exigências do mundo contemporâneo. Os métodos tradicionais de ensino, centrados na passividade dos estudantes e na linearidade dos conteúdos, mostram-se cada vez mais limitados para formar indivíduos críticos, criativos e autônomos. Essas práticas, muitas vezes marcadas por punições ou desestímulos, desconsideram o papel ativo do sujeito no processo de construção do conhecimento.
A vivência como discente neste programa tem sido marcada por uma ampliação da minha compreensão sobre o que significa, de fato, aprender. Entendi que a aprendizagem ocorre de forma mais eficaz quando o estudante se torna protagonista de sua própria trajetória, sendo estimulado a experimentar, a errar, a sentir e a refletir. Aprender é um ato que envolve razão, emoção, engajamento e conexão com o mundo.
A crítica ao modelo tradicional de ensino foi potencializada pelas reflexões sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas, de Gardner (1989). Compreender que cada estudante possui diferentes formas de inteligência: linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Ampliou minha visão sobre a educação. A escola, nesse sentido, deve ser um espaço de acolhimento das diferenças, capaz de promover práticas pedagógicas inclusivas, diversificadas e sensíveis às individualidades.
Essa noção me leva a refletir também sobre meu próprio percurso de aprendizagem. Aprender, para mim, ultrapassa o objetivo de obter boas notas ou diplomas; trata-se de uma ferramenta de transformação pessoal e social. Meu projeto de vida está diretamente relacionado ao desejo de contribuir com a construção de uma sociedade mais justa, por meio de ações que integrem propósito, empatia, consciência crítica e compromisso com o bem coletivo.
Assim, compreendo que a educação deve assumir um caráter emocional e ético. A escola precisa ser repensada como um espaço em que a curiosidade e a criatividade sejam valorizadas e onde o erro seja reconhecido como parte essencial do processo de aprender. É necessário romper com a lógica da punição e avançar para uma pedagogia que respeite os diferentes tempos, modos e talentos de cada sujeito.
Diante disso, reafirmo que repensar a educação não é apenas uma necessidade: é uma urgência. As reflexões vivenciadas na disciplina reforçam a importância de desenvolver propostas pedagógicas que estejam alinhadas com as demandas atuais. Por isso, entendo que a elaboração do produto educacional da minha pesquisa deve considerar esses princípios, deve ser viável, acessível, afetiva e promotora de aprendizagens significativas.
Concluo, portanto, que os estudos iniciais da disciplina não apenas enriqueceram meu repertório teórico, mas também me mobilizaram a refletir sobre minha prática, minhas escolhas e meus compromissos enquanto aprendiz e futura educadora. Reafirmo meu compromisso com uma educação mais humana, inclusiva e transformadora, que compreenda o aprender como arte e o ensinar como ato de escuta, de afeto e de construção coletiva.
Para refletir:

  
  
Falar sobre emoções também faz parte do aprendizado


Referências bibliográficas

GADOTTI, Moacir. Aprender com emoção, ensinar com alegria. In: GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. – 2. ed. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freite, 2011, p.59-72.

GARDNER, Howard; HATCH, Thomas. Multiple intelligences go to school: educational implications of the theory of Multiple Intelligences. Educational Researcher, v.18, n.8. p.4-10, 1989. 

PAPERT, Seymour. Uma palavra para a arte de aprender. In: PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 87-106. 



Anexo Pessoas transformam o mundo.jpg
Anexo Quem ensina aprende ao ensinar.jpg
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Re: Conectando Saberes - CONCEITO NUCLEADOR 1

por NARA ALVES DE ALMEIDA LINS -
- Na sua perspectiva, o que é central para construir conhecimento/ aprender?
- Que projeto de vida lhe motiva a aprender?

Para conseguir responder aos dois questionamentos preciso de uma dose de inteligência intrapessoal, como dizem Gardner e Hatch. Sei que me importo muito com o que acontece com os outros. Sempre faço esse exercício de me imaginar na situação do outro e como me sentiria. Para isso tento aumentar meu repertório sobre o mundo para entender as nuances de crenças e sentimentos alheios.
Escolhi uma profissão que atua na tentativa de manter que as pessoas alcancem um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades. Para entender todas as nuances desse conceito de saúde preciso ter interesse em entender o que cada domínio desse significa para cada indivíduo que passa por mim. E isso não é fácil.
Nesse ponto chegamos no meu projeto de vida que é ser um exemplo de boa médica e auxiliar a formar médicos bons. Nesse ponto é que vou atrás da matética. Ser um melhor exemplo, auxiliar que meus alunos melhorem, vê-los florescer é o que me motiva.
Mas voltando para a primeira pergunta, acredito que só aprendemos algo porque temos interesse. Esse interesse pode até não ser “tão genuíno”, mas alcançar uma nota, agradar a alguém ou até passar o tempo, podem ser considerados motivadores para direcionar nossa atenção ou interesse para aprender algo. Na Medicina, com a quantidade gigantesca de conhecimento teórico, os professores precisam ser gestores para onde o interesse do aluno deve ser direcionado. Mas isso nem sempre casa com o interesse ou a aptidão daquele determinado indivíduo. Nesse ponto entram todos recursos e métodos para tornar o aprendizado interessante e significativo: aprendizado baseado em problemas, problematização, simulação, aulas práticas, etc... Mas nada é mais importante do que fazer com que o próprio aluno exercite sua inteligência intrapessoal, é ela quem vai guiar os aprendizados futuros de uma vida inteira.